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Redescobrindo a Família

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Salvador

            A realidade da família atualmenete tem sido marcada por luzes e sombras. Os muitos desafios enfrentados pelas famílias, hoje, favorecem destacar mais as sombras do que as luzes. Em meio às dificuldades, corre-se o risco de reduzir o ambiente familiar a problemas. O olhar crítico sobre a atual realidade familiar não deve obscurecer o valor permanente da família ou os valores nela presentes.  É preciso redescobrir, não apenas sua importância para a humanidade, mas também o valor de cada uma, em particular, a começar por aquela à qual pertencemos. É fundamental assumir a história de vida familiar, admitindo-se serenamente não apenas limitações e problemas, mas, acima de tudo, reconhecendo os seus aspectos positivos.

             As transformações socioculturais, que ocorrem de modo tão intenso em nossa época, têm repercutido sobre a realidade familiar, provocando rápidas e profundas mudanças, porém não têm apagado o valor da família no coração das pessoas, que continuam a apontá-la entre os bens mais importantes, e responsável pela preservação dos principais valores da vida.  As “casas” de hoje podem não se apresentar como o almejado “doce lar”, mas continuam a ser refúgio onde as pessoas buscam aconchego em meio às carências e pressões da vida social. Nas famílias, podemos encontrar testemunhos admiráveis de verdadeiro amor e solidariedade, especialmente, em situações adversas de pobreza, enfermidade e luto. Há muitas pessoas que passam a vida a cuidar de familiares fragilizados por enfermidades ou idade avançada, com amor imenso, paciência generosa e dedicação incansável. São filhos que cuidam dos pais enfermos ou idosos; são pais e mães que se dedicam amorosamente a filhos com deficiências e enfermidades; são esposas que cuidam dos maridos ou, vice-versa, por longos períodos de grandes limitações físicas ou mentais. No fundo do coração, as pessoas tendem a conservar o amor e a gratidão pela família, sentimentos que afloram em momentos especiais, mostrando que as transformações ocorridas ou as contradições existentes, não conseguem apagar o amor pela família posto pelo Criador no coração humano.

             A postura serena diante do passado familiar deve ser completada com uma atitude generosa de reconciliação no presente. Uma pessoa reconciliada com a sua família caminha rumo ao amadurecimento humano-afetivo e à verdadeira felicidade. Ao contrário, quem vive negando interiormente a sua história familiar ou recusando-se a estabelecer relacionamentos fraternos, tende a carregar no coração a amargura e a inquietação.

            A Semana Nacional da Família, encerrada neste domingo, estimula-nos a redescobrir e a amar a família, confiantes no amor de Deus, alicerce da vida matrimonial e familiar.

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Fonte: Noticias da CNBB

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