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Leigos e leigas na sociedade

Dom Adelar Baruffi
Bispo de Cruz Alta

 

            No Ano Vocacional Diocesano, o quarto domingo de agosto, nos convida a aprofundar a vocação do laicato. A Igreja é, por excelência, laical porque todas as vocações e ministérios são laicais, visto que sua origem é sempre a mesma: o nosso batismo. Dele brotam todas as vocações. Parte-se das intuições fundamentais do Concílio Vaticano II, quando afirma: “É própria e peculiar dos leigos a característica secular. […] Por vocação própria, compete aos leigos procurar o Reino de Deus tratando das realidades temporais e ordenando-as segundo Deus” (LG 31). Temos duas realidades complementares, o batizado na comunidade de fé e o leigo presente nas realidades humanas. A primeira realidade está mais contemplada. Temos muitos e, na maioria das vezes, bons leigos e leigas. Participam das comunidades, conselhos, ministérios, grupos, movimentos e serviços. São homens e mulheres, crianças, jovens e idosos. Porém, a grande questão se situa na sua presença como “sal da terra” e “luz do mundo” (cf. Mt 5,13-14). O referido documento da Conferência Episcopal assim fala: “Os cristãos leigos e leigas que vivem sua fé no cotidiano, nos trabalhos de cada dia, nas tarefas mais humildes, no voluntariado, cuja vida está escondida em Deus, são o perfume de Cristo, o fermento do Reino, a glória do Evangelho. Eles se santificam nos altares do seu trabalho: a vassoura, o martelo, o volante, o bisturi, a enxada, o fogão, o computador, o trator” (CNBB, Doc. 105, n. 35).

            A grande questão de toda a atuação social da Igreja é seu ponto de partida. Ele é único: Jesus Cristo e seu evangelho, conforme a orientação do Magistério. Os leigos ligados às diversas instituições católicas trazem consigo a clareza que deverão sempre conhecer e aprofundar as fontes, de maneira integral, de nossa fé. Nunca se pode escolher alguns textos e outros não, algum Papa e outros não. Todos formam a visão integral, a antropologia e, consequente, sociologia da visão cristã. De fato, só há uma Igreja, aquela da comunhão como nosso Papa e os bispos. Isto não significa que não possamos ter outras ideias. Claro que podemos, mas no essencial é preciso estar todos de acordo. Difícil quando se criam pontos difíceis, com opiniões que não são nem bíblicas e nem do magistério. Já disse nosso Papa Francisco que devem-se evitar os radicalismos ideológicos, visto que eles não pensam o bem da humanidade, mas usam a humanidade em vista de si mesmos.        Então, de maneira prática, um leigo cristão deverá sempre se nutrir com uma intensa vida de oração, a partir da Palavra. Ela deve ser cotidiana e seguir os ensinamentos do Magistério. Não podem se afastar da comunidade de fé os que partem para a representação política. Neles a comunidade deve se ver espelhada, nos valores que vivem e defendem. O leigo deverá defender e promover sempre a vida humana. Ao tomarmos a questão do aborto ou a questão do sofrimento terrível dos pobres, o empenho e a dedicação devem ser a mesma. Olhará a realidade dos agricultores, da defesa das mulheres, da necessidade do estudo para nossos jovens ou de todo o meio ambiente, obra de Deus. Deverá, porém, partir de um ponto claro: o olhar e a postura preferencial de Jesus Cristo pelos mais sofredores, pelos pobres, que mais precisam. Isto não é ideologia, isto é evangelho. Esta postura nunca deve ser negociada. Toda vez que alguém se posiciona como cristão, deve ter este olhar diante de si. Cuidemos para que os pontos centrais da Doutrina Social da Igreja e do Catecismo da Igreja Católica estejam presentes: uma correta antropologia da vida que vem e caminha para Deus; o pecado e a redenção; a vida sacramental; o bem comum; a dignidade da pessoa humana; a liberdade e a igualdade de todos.

            Parabéns a nossos leigos e leigas. Confiamos em vocês na construção de um mundo melhor, com coragem, equilíbrio e discernimento.

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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