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100 mil mortos

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba

Quem esperava por uma realidade tão assustadora como o que está acontecendo, um vírus ameaçador e agressivo eliminando tantas vidas humanas e deixando um legado de sofrimento para inúmeras famílias em nosso país! O Projeto de Deus é a vida, que contempla sua existência do nascimento até a morte natural. Mas muitas delas são paralisadas de forma agressiva e antinatural.

A curva que referencia o número de mortes diárias no país por coronavírus é preocupante. Está demorando descer de seu patamar, sinalizando que a pandemia ainda vai continuar muito tempo. Só haverá maior agilidade de queda com a cooperação consciente da população, não abandonando o distanciamento social e o uso das medidas sugeridas pela Organização Mundial da Saúde.

Perante a fragilidade e passividade da pessoa humana em relação ao vírus da covid-19, até que chegue uma vacina eficiente, alguns alertas devem estar presentes na vida de cada pessoa: adquirir, o quanto possível, resistência do próprio organismo; já que é um vírus letal, que estejamos em dia com nossa identidade, inclusive no aspecto da vida de fé e compromissos cristãos.

Em termos de responsabilidade, o empenho pela superação da pandemia é de todos os brasileiros. O peso não pode ficar apenas nos ombros de autoridades e agentes de saúde. A falta de cuidado em relação ao outro acaba prejudicando a gente mesmo. O não uso de máscara e o pouco distanciamento entre as pessoas constituem atos que ferem os princípios de humanidade e respeito.

Essa pandemia não é uma catástrofe natural. São cem mil vítimas causadas por uma realidade surgida dos descontroles na condução da história que se arrastam pelo mundo afora. Tal qual é a explosão em Beirute, também matando tanta gente, de um fato que poderia ter sido evitado, caso as ações dos administradores fossem feitas com mais responsabilidade e proteção dos ambientes.

Usando uma expressão e uma palavra estranha: Nascemos para morrer, mas não para ser “morridos”. Muita gente morre antes do tempo, não pela vontade divina, mas pelos condicionamentos das ingerências humanas e pelo descuido na administração daquilo que constitui a beleza da criação. A hora é de mudança nas atitudes de condução das atividades que formam a história dos povos.

 

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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