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Por trás das máscaras

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Salvador 

            O uso de máscaras faciais tornou-se uma das características mais marcantes da pandemia Covid-19.  No futuro distante, as fotografias das pessoas utilizando máscaras serão um sinal que continuará a despertar reações de espanto ou admiração. Por que? Não se trata de uma opção ditada pela moda, nem de uma livre escolha, por mais conscientes que elas sejam. As máscaras falam por si mesmas, mais do que os lábios escondidos possam expressar. As máscaras para conter a pandemia revelam, ao invés de esconder.

            Hoje, o termo máscara nos faz pensar imediatamente na máscara facial usada na pandemia, mas ele tem várias expressões e significados, de acordo com o tipo de máscara e a situação de quem a utiliza. Basta lembrar as máscaras carnavalescas, as de teatro, ou de cerimônias rituais, em algumas culturas. Contudo, há uma acepção bastante negativa quando elas designam o que esconde a identidade, para enganar, ocultar interesses ou praticar crimes. Esse sentido pejorativo de “máscara” parecia predominar, na linguagem coloquial até a pandemia, com as expressões “cair a máscara” ou “tirar a máscara”, para revelar quem alguém é, de fato, ou quais são os seus verdadeiros interesses.

            A máscara recomendada ou exigida como medida de saúde pública, durante a pandemia, revela e “desmascara”. Por detrás dela está alguém que tem senso de amor e responsabilidade pela própria vida e pela vida de quem ama. Expressa amor, cuidado consigo e com o outro, responsabilidade, capacidade de fazer renúncias pelo próprio bem e pelo bem do próximo. As Pessoas que utilizam máscaras faciais nos templos, e que compõem uma cena comum em nossos dias, elas expressam o louvor ao Criador não somente com os lábios, mas com o coração e a vida, através de um gesto aparentemente simples, mas importante e eficaz para preservar a vida e a saúde de quem ora, da própria comunidade orante e da sociedade em geral.

            Entretanto, o reconhecimento da importância do uso da máscara facial não implica restringir a ela as medidas sanitárias.   Infelizmente, muitas pessoas parecem achar que basta usar a máscara e tudo o mais é permitido, isto é, não observam outras regras fundamentais de saúde, como o distanciamento social, a não aglomeração e a higienização das mãos. Esse comportamento tende a piorar, com o passar do tempo, nas etapas de flexibilização das medidas restritivas.

            Não podemos cansar de lutar contra a Covid-19, seguindo as recomendações de saúde pública. Com fé em Deus e os esforços de todos, venceremos a pandemia.  Por detrás das máscaras, há uma multidão de profissionais da saúde que se dedicam generosamente a cuidar dos enfermos. Por detrás das máscaras, há uma multidão que ama a vida e sente-se responsável por preservá-la. Por detrás das máscaras, há amor e responsabilidade pela vida!

                                  

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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