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Festas na Pandemia

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)

 

O que está acontecendo toca na sensibilidade do cenário mundial, porque todos os países estão se movimentando com o condicionamento provocado pela presença do coronavírus. É uma pandemia com característica internacional que, como efeito cascata, chega também a todas as comunidades, exigindo mudanças para se adequar ao que estão chamando de “novo normal”.

Uma das consequências é a suspensão das grandes festas na vida cotidiana, refletindo fortemente nos eventos diocesanos e paroquiais. As pessoas estão perplexas com a situação, e ao mesmo tempo conscientes de que a realidade do covid-19 não é brincadeira. É o caso, por exemplo, a suspensão da Festa de Nossa Senhora da Abadia, muito concorrida, principalmente no Triângulo Mineiro.

A figura da Mãe de Deus, com seus diversos títulos, toca profundamente no coração de inúmeros romeiros. Há uma pureza bonita e muita simplicidade nas manifestações de fé na vida do povo que venera Maria, Mãe do Senhor. Isso revela a identidade de Nossa Senhora e confirma o que está contido na Palavra de Deus, isto é, uma jovem que se coloca como serva do Senhor (cf. Lc 1,38).

Nesse clima de pandemia, de isolamento e preocupação de todos, nossos olhares devem ser de generosidade. Maria visita Isabel para lhe oferecer seus préstimos. Ela leva consigo paz, alegria e a benção de Deus. Isso é fruto da solidariedade e da ajuda mútua, muito importante neste momento. Mesmo isolados podemos ajudar a quem necessita, tanto as pessoas, as famílias como as instituições.

A salvação é dada por Cristo, e Ele conta com a colaboração das pessoas na prática de fidelidade à fé. A maneira como a Mãe de Jesus, não só entendeu, mas também vivenciou essa realidade deve motivar o compromisso cristão de seus devotos. Não é uma festa ou uma peregrinação até a um Santuário mariano o mais importante. Importa ter autenticidade nos compromissos na comunidade.

Nas diversas expressões e devoções marianas, a Mãe de Jesus deve ser para todas as pessoas um sinal visível de esperança. A suspensão das festas, motivada pela pandemia, não pode causar desânimo e nem descompromisso com as práticas cristãs. Até pelo contrário, pois está sendo oportunidade para uma revisão de atitudes e de compromissos com o verdadeiro sentido da vida na terra.

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Fonte: Noticias da CNBB

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