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Partilha do pão

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro

 

A liturgia da 18ª. Semana do Tempo Comum, iniciou-se nas vésperas deste Domingo quando abrimos também o mês de agosto, que para a Igreja é um mês temático como o mês das vocações. No primeiro Domingo de Agosto lembramos da vocação ao ministério ordenado, em especial ao sacerdócio que é comemorado na terça feira dia 04 de agosto que é o dia de São João Maria Vianney, padroeiro de todos os padres.

Rezemos neste Domingo por todos os padres para que tenham perseverança em sua vocação e sejam fiéis ao chamado que Cristo lhes fez e possam cada vez mais com alegria e entusiasmo servir ao povo de Deus, nos diversos ministérios a que possam ser chamados a exercer.

A liturgia deste Domingo fala diretamente sobre a missão de todo o padre que é partilhar o pão. O pão espiritual que nos é proporcionado pela Eucaristia e também, além de partilharmos esse pão espiritual somos convidados a partilhar o pão material. Na mesa da Eucaristia em que todos podem ter acesso, sem distinção de raça, língua ou poder aquisitivo, temos a partilha do pão espiritual, pois todos são convidados para o banquete da Eucaristia, todos são convidados a estarem ao redor da mesa ao lado de Jesus.

O Senhor que se dá a nós gratuitamente e sacia a fome de seus filhos quando estes lhe pedem de comer (cf. Is 55,1-3). Assim como no deserto o povo de Deus pediu alimento para saciar a fome e Deus lhes enviou o maná, hoje pedimos a Deus o pão vindo do céu que é a Eucaristia, “remédio da imortalidade, antídoto para não morrer”. E temos os sacerdotes que consagram o pão e o vinho para se tornar Corpo e Sangue de Cristo, e como diz o próprio Jesus: “aquele que comer deste pão e beber deste sangue nunca mais terá fome e nem sede”.

Na segunda leitura (cf. Rm 8,35.37-39) o apóstolo São Paulo nos diz que nada nos separará do amor de Cristo, somos mais que vencedores diante de qualquer tribulação, porque Ele nos amou primeiro e nos ensinou que o amor vence qualquer barreira. O amor de Deus por nós se manifestou plenamente na Cruz, na entrega total de Seu filho Jesus por nós.

No Evangelho deste Domingo (cf. Mt 14,13-21) Jesus sacia a multidão faminta, Ele sente compaixão daquele povo que estava com fome e com cinco pães e dois peixes Jesus faz a multiplicação, sacia todos os presentes e ainda foi recolhido doze cestos com as sobras. Os que haviam comido eram mais ou menos cinco mil homens sem contar mulheres e crianças. Assim como no deserto Deus alimentou o povo faminto que pedia o pão vindo do céu, Jesus sacia a fome desse povo sedento.

Muitas vezes nós nos sentimos sedentos de Deus, sedentos de sua Palavra, de nos encontrarmos com Ele nos Sacramentos, de sentir o perdão de Deus no sacramento da confissão, sedentos da Eucaristia. Podemos nos alimentar, beber água e instantaneamente nos saciarmos, mas só vamos encontrar a verdadeira saciedade em Jesus Cristo. Alimentando-nos d’Ele nunca mais teremos fome e nem sede.

Devemos todos os dias agradecer o alimento que conseguimos colocar em nossa mesa, fruto do nosso honesto trabalho e do suor. Mas quem nos deu a graça de conseguir aquele emprego e de podermos alimentar a nossa família todos os dias foi Deus. Temos que aprender a ser agradecidos, muitas vezes só queremos receber de Deus as coisas e não somos capazes de agradecer.

Esse mesmo povo que neste Evangelho de hoje é saciado por Jesus através da multiplicação dos pães depois não volta para agradecê-lo. Muitos só procuravam Jesus pelos milagres que ele fazia e não procuravam a pessoa dele.

Por isso aprendamos a ser agradecidos a Deus por todos os benefícios que recebemos dele e não o procuremos somente na hora difícil em que a situação aperta, mas o busquemos sempre, todos os dias. Ele nos espera na Eucaristia para se dar a nós em alimento e para dividirmos com ele nossas alegrias e nossas aflições.

E aprendamos que da Eucaristia inicia nossa missão, se houve a multiplicação do pão espiritual entre nós, devemos multiplicar aonde estivermos o pão material, pois mesmo o pouco com Deus é muito, e partilhando mesmo o pouco, todos teremos o necessário. Que Deus nos ajude a nunca faltar o alimento na nossa mesa para podermos sustentar nossa família.

De maneira especial nesta semana rezemos por todos os padres e pelas vocações pedindo ao Senhor da messe que envie muitos operários para trabalhar na sua vinha. E nunca nos falte aqueles ministros ordenados que “multipliquem” o pão para nós.

Que Deus e a Virgem Maria nos proteja e nos guie para o caminho do bem e do amor.

 

 

 

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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