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Falemos de esperança

Dom Adelar Baruffi
Bispo de Cruz Alta

 

            Falemos de esperança, do novo deste tempo. Nosso olhar precisa ser portador da proposta positiva de nossa fé. Vivemos, nestes dias, talvez o momento mais complicado da pandemia, do Covid 19. Quantas pessoas são tomadas pelo medo, que tem tantas maneiras de se manifestar. O medo principal é o de morrer! Para outros, a depressão e a ansiedade. Alguns, no entanto, minimizam e afirmam que nem devemos nos preocupar. Nós, cristãos, levamos conosco, para nossas famílias e ambientes de trabalho, a certeza da esperança que sempre nos anima. Ela não significa esperar sem se comprometer. “A mensagem cristã não era só «informativa», mas «performativa». Significa isto que o Evangelho não é apenas uma comunicação de realidades que se podem saber, mas uma comunicação que gera fatos e muda a vida” (Bento XVI, Spe Salvi, 2). Enfim, qual a vida nova que está sendo gerada, formada, em cada um de nós, nestes dias difíceis para a sociedade e para a Igreja? Como não sucumbir nas dificuldades? Em quem crer?

            Retorno ao Papa Bento XVI: “A redenção é-nos oferecida no sentido que nos foi dada a esperança, uma esperança fidedigna, graças à qual podemos enfrentar o nosso tempo presente: o presente, ainda que custoso, pode ser vivido e aceito, se levar a uma meta e se pudermos estar seguros desta meta, se esta meta for tão grande que justifique a canseira do caminho” (Spe Salvi, 1). Então, nossa esperança, como cristãos, vai além. Baseia-se na fé que temos. Nela encontramos a certeza da vitória final, pois o Crucificado é o Ressuscitado, vivo na história, pela presença do Espírito Santo. Mas, porque a redenção é fonte de esperança? Porque ela faz com que olhemos a realidade, com todo seu peso e sofrimento, vendo além. Nunca nossa fé é uma fuga da realidade, mas a certeza de que há alguém por nós, que nos olha, nos ama, nos acompanha e nos mostra o que nos espera um dia.

            Esta esperança precisa ser acolhida, pela fé, e ser cultivada, para que os fatos da vida consigam espelhar o que cremos. Recordo, preocupado porque não sei se todos entenderam, as orientações que, tantas vezes, já damos aos nossos católicos. Em casa, rezemos cotidianamente e cuidemo-nos uns dos outros. Para acolher e cultivar a esperança é preciso o encontro cotidiano com Cristo. Contemplemos Cristo Crucificado-Ressuscitado. Aprendamos dele, como discípulos. Ele nos fará ver além de nosso mundo e de nossos pequenos e frágeis conceitos. Rezemos com a Palavra de cada dia. Ainda, infelizmente, não podemos estar todos na celebração eucarística. Isto é motivo de sofrimento para todos nós.

            Em segundo lugar, refletimos sobre nosso lugar no mundo, sobre o sentido de nossa vida. Deus age sempre e nos faz ver o que é mais importante. Partimos da Palavra para encontrarmos respostas à vida. Tiremos de nós todas as sobras de orgulho e de mesquinhez, que nos tolhem o que somos como humanos. No final, sejamos mais humanos e fraternos. Falar e acusar menos. Ouvir e acolher mais. Recordemos que formamos uma grande e bela família, onde todos são dignos e têm os mesmos direitos e deveres. Este é o momento que não é de perda para os cristãos, mas “um retiro prolongado”, de redefinição de nossa identidade e nosso lugar no mundo.

            Em terceiro lugar, a esperança move para a misericórdia. Ela quer ver a todos bem. Não deixemos ninguém passar necessidades. A caridade humaniza e dá alegria. Ela faz o mundo ser mais fraterno. Continuemos a construir a esperança, com o projeto: “É tempo de cuidar”.

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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