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Evangelizar através das mídias digitais

Dom Antonio de Assis Ribeiro 
Bispo Auxiliar de Belém do Pará

 

Introdução

A missão da Igreja é essencialmente comunicar o Evangelho a todos os povos, nos seus mais variados contextos e situações, para que se abram à fé e vivam de acordo com os valores do Reino de Deus. A comunicação do Evangelho acontece, antes de tudo, através de palavras, gestos e atitude de cada discípulo de Jesus Cristo. Não existe outra pregação mais forte do que o próprio testemunho. Mas em vista de maior eficiência na propagação da mensagem de Jesus Cristo, a Igreja não deve descartar o uso dos mais variados instrumentos técnicos disponíveis em nosso tempo.

A Igreja com o Concílio Ecumênico Vaticano II, através do decreto “Inter mirifica”, manifestou a sua convicção sobre a importância do uso dos meios de comunicação social e das tecnologias a serviço da evangelização. Abrindo o documento, afirma o decreto que, dentre as maravilhas do gênio humano, está a comunicação! O uso dos meios de comunicação através das tecnologias “contribuem eficazmente para recriar e cultivar os espíritos e para programar propagar e afirmar o Reino de Deus” (IM,2).
O interesse da Igreja pela comunicação social e, hoje através da internet, usando as mais variadas redes sociais e ferramentas digitais, é a promoção da evangelização. O Papa São João Paulo II afirmou que o primeiro areópago dos tempos modernos é o mundo das comunicações que está unificando a humanidade e transformando-a numa “aldeia global» (cf. Redemptoris Missio,37)

As redes sociais na pandemia

Se por um lado, os mais variados meios de comunicação nesse tempo de pandemia tem nos assustado com exagerado tempo dado aos males e problemas, que muitas vezes nos influenciam negativamente, também é verdade que não poderíamos imaginar como estaríamos atualmente se não houvesse a rapidez, a liberdade e a transparência da comunicação por diferentes meios. As realidades humanas são sempre ambivalentes.

Certo é que neste tempo de pandemia as redes sociais tornaram-se um abençoado instrumento pelo qual chega a milhões de pessoas o conforto, a amizade, a companhia, a solidariedade e a Palavra de Deus para alimentar a fé e a esperança.

As comunidades virtuais se fortaleceram e, por causa do distanciamento social e isolamento; milhões de pessoas se mantém em comunhão e fieis em seu vínculo com a própria comunidade. A Igreja doméstica está se fortalecendo. Uma nova modalidade de encontros e presenças está se consolidando profundamente nesse tempo de pandemia através da virtualidade.

Mas a Igreja não é uma comunidade virtual; é uma comunidade concreta de pessoas que sentem a necessidade do encontro interpessoal para a partilha da Palavra, o encontro solidário e as mais amplas formas de partilha de afeto. Jamais a virtualidade poderá substituir a presença. Todavia, o desejo dela pode ser alimentado também de longe infundindo nas pessoas a vontade de estarem juntas. Isso está acontecendo!

A virtualidade não tem a força suficiente para saciar a alma e o coração humano, mas em tempos tão delicados nos quais estamos vivendo, essa modalidade faz um grande bem. Mesmo se os corpos estão distantes, as mentes continuam em comunhão. É tempo de revalorizar a lição do velho ditado: “O que os olhos não vêm, o coração não sente”. Portanto, aquilo que continuamos a mostrar, aquece o coração dos fieis.

Evangelização na pandemia

A pandemia de COVID-19, atingindo a totalidade das dimensões da vida da sociedade, está pressionando a Igreja a repensar a sua modalidade de evangelização e forma de presença na vida das pessoas. O fechamento dos templos não significou o estacionamento da evangelização, muito pelo contrário, está havendo na verdade, uma forte exploração de novos meios, formas, atividades e horários de evangelização.

Graças à internet, com as mais variadas mídias digitais e explorando a modalidade virtual, neste tempo de pandemia a evangelização está assumindo outra roupagem, explorando nova linguagem, ampliando a oferta de serviços para alimentar a fé dos fiéis e atingindo fronteiras sem controle chegando a proporções mundiais estando disponível para os mais variados sujeitos e contextos: a pessoa (em suas diversas circunstâncias), a família (em seus variados modelos), as instituições (de todas as naturezas); também alcança o campo e os contextos ribeirinhos amazônicos e indígenas.

Nunca vimos tantas atividades religiosas veiculadas pela internet como atualmente estamos vendo; são celebrações eucarísticas em todas as horas, adorações, celebração da Palavra, recitação do santo terço, pregações, lectio divina, retiros, novenas, ladainhas, palestras etc. Não tenhamos dúvidas de que através desse novo púlpito atingimos muito mais pessoas do que simplesmente nos templos físicos. Todavia, não basta que a Palavra de Deus chegue aos ouvidos do maior número possível de pessoas; na verdade, a eficácia da evangelização acontece quando se atinge a totalidade da pessoa em si mesma e se consolida quando ela se insere numa comunidade concreta e se engaja pastoralmente.

Outra realidade que tem crescido é o espontâneo processo de organização de grupos nas redes sociais com o objetivo de compartilharem conteúdo religioso de interesse comum como experiências pastorais, trechos bíblicos, orações, homilias, mensagens estimulantes, comentários da Palavra de Deus, testemunhos de fé, experiências de engajamento eclesial. Essas pequenas redes de partilha são formadas em geral por parentes, amigos, categorias de pessoas com responsabilidades e interesses comuns entre si. Isso é muito bonito!

Duas estimulantes recomendações

No contexto do envio missionário dos doze encontramos uma séria recomendação de Jesus aos seus discípulos dizendo:“o que digo a vocês na escuridão, repitam à luz do dia, e o que vocês escutam em segredo, proclamem sobre os telhados” (Mt 10,27). Os discípulos de Jesus foram convocados a serem honestos, claros, explícitos, autênticos e audaciosos no anúncio do Evangelho. Proclamar sobre os telhados o que Jesus disse, significa também assumir a coragem de fazer ecoar suas palavras com a maior visibilidade e alcance possível. Isso combina com a recomendação do ser Sal da terra e Luz do mundo. Temos ao nosso alcance, hoje, muitos meios disponíveis para cumprir esse desejo de Jesus.

Outra recomendação muito significativa são as palavras do apóstolo Paulo a Timóteo afirmando: “rogo a você diante de Deus e de Jesus Cristo, que há de vir para julgar os vivos e os mortos, pela sua manifestação e por seu Reino: proclame a Palavra, insista no tempo oportuno e inoportuno, advertindo, reprovando e aconselhando com toda paciência e doutrina. Pois vai chegar o tempo em que não se suportará mais a doutrina; pelo contrário, com a comichão de ouvir alguma coisa, os homens se rodearão de mestres a seu bel-prazer” (2Tm 2,2-3).  No próximo artigo vamos refletir sobre a contribuição dos jovens na evangelização através das mídias digitais.

PARA REFLEXÃO PESSOAL:

  • Você acha importante a presença da Igreja nas mídias digitais?
  • Você usa alguma rede social para evangelizar?
  • O que você comenta sobre as duas recomendações apresentadas?

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Fonte: Noticias da CNBB

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