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Alegria, Gratidão, Misericórdia e Unidade

Dom Luiz Antonio Lopes Ricci
Bispo de Nova Friburgo

Caros irmãos e irmãs, é com grande júbilo que me dirijo a vocês. No último sábado (04/07) tomei posse como Bispo Diocesano de Nova Friburgo, contemplo esta missão como um grande desafio e uma grande dádiva.

No meu discurso de posse, elenquei quatro propostas que nortearão nosso trabalho pastoral: Alegria, Gratidão, Misericórdia e Unidade. Seguindo este itinerário convido-os a olhar para frente, encher o coração de alegria, na certeza que o Senhor nunca nos deixa sós.

Importante distinguir alegria de euforia. A verdadeira alegria não se deixa abalar pelas contrariedades da vida, ao contrário, quando as coisas não vão bem ela torna-se força para ultrapassar as barreiras e superar os problemas. A alegria, que elenco entre as propostas para os anos vindouros, tem sua origem em Deus que com seu amor nos ampara e alimenta.

Tem um coração alegre aquele que sabe ser agradecido. Numa caminhada precisamos ter os passos ancorados nas experiências vividas, sejam elas boas ou más, e saber reconhecer que estas nos ajudam na construção de um futuro melhor.

Estamos passando um por momento muito diverso e difícil. Surpreendidos por um pequeno vírus, vimos nossa liberdade cerceada e nosso coração angustiado por estarmos privados da presença de pessoas queridas. Contudo, devemos ser agradecidos pelo tanto que este momento nos ensinou, pelo tanto que temos a aprender, a melhorar.

Fui nomeado Bispo de Nova Friburgo em meio ao caos dessa pandemia. Não pude contar com a presença do querido povo de Deus, mas procuro olhar para esta realidade com os olhos da fé, com a certeza de que estamos juntos no coração de Deus, e com esperança que, ao passar esta crise, nos encontraremos todos e nos abraçaremos.

Reitero que este período não pode ser compreendido como um momento de solidão, mas sim de solidariedade. E aqui neste sentido insere-se a terceira proposta: a misericórdia. Para que a alegria contagie e preencha nossa vivência, é necessário o reconhecimento de nossa condição frágil, sempre necessitada de auxílio. Um dos segredos do bem viver é a capacidade de transformar feridas em cicatrizes, a capacidade de ir ao encontro das necessidades alheias.

Por fim, o último ingrediente para a construção de uma vida permeada de alegria é a unidade. O desafio de viver a unidade passa pela capacidade de lidar com as tensões e legítimas diferenças, de modo dialógico e fraterno, colocando a unidade e a caridade em primeiríssimo lugar.  “A realidade é que tal variedade ajuda a manifestar e desenvolver melhor os diversos aspectos da riqueza inesgotável do Evangelho” (EG, n. 40). A estas palavras do Papa Francisco somos impulsionados a conviver com as legítimas diferenças, buscando a unidade na caridade, como um imperativo e forte testemunho de vida autenticamente cristã.

Na certeza de que juntos construiremos mais uma etapa desta Igreja Particular, coloco-me como um irmão, um colaborador e aprendiz. Parafraseando Santo Agostinho digo: Estou feliz por ser vosso Bispo, mais ainda feliz por ter a graça de caminhar convosco na construção e propagação do Reino de Deus!

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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