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Manso e humilde de coração

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

 

         Celebramos neste final de semana o décimo quarto domingo do tempo comum. A mensagem do Evangelho deste domingo é: “Eu sou manso e humilde de coração” (Mt 11,29). A liturgia também nos mostra que o Senhor se revela aos pequeninos.

         Deus revela seus segredos aos pequenos! O Povo de Israel perdera sua independência e sua liberdade. Foi dominado pelos Persas e, depois, pelos Gregos. Enfim, era um povo explorado e esperava um Messias libertador. Mas o profeta anuncia um Messias humilde, justo e defensor dos pobres. Não anuncia um guerreiro para derrotar inimigos! Vivendo no meio da confusão atual, que tipo de libertação esperamos? O Rei humilde, que morre, mas não mata que defende os pobres é Jesus Cristo!

         A Liturgia nos mostra, a primeira leitura (Zc 9,9-10)  o Messias anunciado é um rei justo e humilde e vem sem aparato de poder militar, diferente do modelo dos reis que exploravam o Povo de Israel. A proposta de Deus é diferente: um rei humilde, pobre e amigo dos pobres! Este rei é tão diferente que não vem montado em cavalo, mas, vem montado em um jumento. Isto é símbolo da humildade e simplicidade. O cavalo é símbolo da força e do poder enquanto o jumento é símbolo da paz e da simplicidade. Vemos o Rei entrando em Jerusalém montado em um jumento.

         Na segunda leitura (Rm 8,9.11-13) nos recorda que somente aquele que tem o Espírito Santo no coração consegue entender a Palavra de Deus. Quem tem o Espírito pertence a Cristo e entende sua Palavra. Escutemos o Espírito e vivamos de acordo com Ele.

         O Evangelho deste domingo (Mt 11, 25-30) Jesus nos mostra o caminho para compreender os planos de Deus. Os grandes e poderosos não o entendem e o rejeitam; mas são os pequenos que se aproximam dele. Por isso, Ele louva o Pai porque o segredo foi revelado, exatamente, aos pequenos! Rezemos neste domingo: “Eu te louvo, ó Pai, porque ocultastes estas coisas aos sábios e doutores e as revelastes aos pequeninos”!(Mt 11,25).

         O Senhor nos diz em seu Evangelho: “diante de um convite de Jesus: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11, 28-30). Ao lado de Cristo, todas as fadigas se tornam amáveis, tudo o que poderia ser custoso no cumprimento da vontade de Deus se suaviza. O Sacrifício, quando se está ao lado de Cristo, não é áspero e duro, mas amável. Ele assumiu as nossas dores e os nossos fardos mais pesados. O Evangelho é uma contínua prova da sua preocupação por todos: “Ele deixou-nos por toda a parte exemplos de misericórdia”, dizia São Gregório Magno falando a respeito do Senhor.

         Diante de Deus somos o que somos, nem mais nem menos, com qualidades e defeitos, com méritos e deméritos, gente boa com coisas não tão boas. É preciso ter bem claro tudo isso na própria vida para saber exigir os próprios direitos, cumprir os próprios deveres e dar a devida honra e glória de Deus. Devemos ter a consciência bem formada e saber que devemos sempre buscar a humildade. Quanto a mansidão, essa virá por meio da humildade. Humildade é uma palavra que vem da palavra “húmus”= terra. A terra remete as nossas origens. Isso remete que constantemente nunca podemos perder de vista as nossas origens. É claro que também origem familiar, mas, origem de que somos “cidadãos do céu”, “somos filhos e herdeiros do céu”.

         Neste final de semana estamos retornando, paulatinamente, com todas as medidas de segurança à celebração dos sacramentos com a participação dos fiéis. Continua suspenso do preceito dominical para todos os fiéis que são dos grupos de riscos e que poderão se inscrever nas Paróquias para receberem a Santa Comunhão em suas residências. Experimentemos a leveza e a suavidade de podermos voltarmos para a Casa do Senhor!

         Contudo, peçamos ao Senhor que nos de graça de ter um coração semelhante ao Vosso coração. Coração: humilde, amoroso, compassivo, orante, acolhedor. Senhor, dai-me um coração igual ao teu, meu Mestre. Coração para fazer o bem e ser o bem para aqueles que de mim mais precise.

 

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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