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Louvor aos pequeninos!

Dom Rodolfo Luís Weber
Arcebispo de Passo Fundo

 

Vivemos num tempo no qual tudo deve ser excepcional, extraordinário, grandioso, heroico, entrar no Guinness book, bater recorde. Os prefixos, oriundos de várias línguas, vão sendo largamente usados: super, mega, hiper, megastore. O que é normal, cotidiano, rotineiro, pequeno, despojado e simples é tratado, por vezes, com desdém.

No texto bíblico, deste domingo Mateus 11,25-30, Jesus louva os pequeninos e faz um convite para assumir livremente o seu jugo e peso. O ensinamento é um convite para redescobrir que a “simplicidade é bela” e também propagá-la. São Francisco de Assis foi definido pelo seu biógrafo como “homem simples”. Simplicidade ou pequenino, como Jesus se refere, não significa ser simplório, rasteiro, desleixado. Mas é ser capaz de fazer brilhar o essencial, na multiplicidade das coisas.

Jesus louva a Deus. Louvar significa proclamar, reconhecer publicamente. Reconhece diante de todos os ouvintes o dom Pai. Jesus chama Deus de Pai. Um Pai que dá atenção e se revela aos pequeninos. Foram os pequeninos os destinatários porque desejavam o dom de Deus, precisavam dele e O acolheram.

Em contraposição Jesus cita os sábios e entendidos aos quais as coisas de Deus estão escondidas. Sábios do mundo são os que sabem como as coisas vão. Entendidos são aqueles que dirigem as coisas como querem. De forma genérica, podemos dizer que os sábios e entendidos negam para si aquilo que eles mesmos não podem produzir ou que escapa do seu controle. Deste modo, não podem acolher a revelação das coisas de Deus que é oferecida de forma gratuita.

Jesus deseja que conheçam o Pai, porém somente se conhece o Pai por Jesus. Para o pensamento ocidental o conhecer tem uma relação muito próxima com racionalidade, informações, dados, mas na linguagem bíblica o conhecer tem um acento mais relacional, tanto que, às vezes, é usado para descrever a relação esponsal.  Para conhecer a Deus as vias da racionalidade não são suficientes por ser necessária uma relação de pessoas, uma relação de amor. O sábio e entendido, como não podem controlar esta relação, não chegam ao conhecimento de Deus.

Jesus também faz um convite: “Vinde a mim”. Historicamente e hoje, em maior profusão devido às facilidades das redes sociais, apresentam-se pessoas que convidam para segui-las. Muitos influenciadores digitais se orgulham terem milhares ou até milhões seguidores. Geralmente estes convites de seguimento vêm somente com promessas de facilidades.

 O convite de “vinde a mim” de Jesus vem carregado de um sadio realismo, pois a vida é empenho e cansaço. Porém não é necessário aumentar o peso a carregar, como também não faz sentido criar complicações inúteis. Aos que vão ao encontro de Cristo ele diz: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, (…) Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

O jugo, mais conhecido entre nós como canga, quando colocado no animal tem a finalidade de permitir usar a sua força de modo útil e não prejudicá-lo. Usando a imagem do jugo Jesus faz referência à lei, que mesmo sendo dura, é necessária para a disciplina e para canalizar energias para fazer o bem. O jugo que Jesus propõe é a lei do amor. Amar requer empenho, dedicação, mas o repouso, a alegria e paz superam imensamente o jugo e o peso.

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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