CNBB

O Espírito Santo na missão da Igreja e no mundo

Dom Vital Corbellini
Bispo de Marabá (PA)

 

            Estamos próximos do domingo de Pentecostes onde celebraremos a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos, transformando-os em testemunhas da ressurreição de Jesus Cristo. Ele é o amor do Pai e do Filho. Reflitamos a sua ação na Igreja e no mundo a partir de alguns padres da Igreja, os primeiros escritores cristãos.

            Santo Ireneu, que foi bispo no século III, anunciou que o Espírito Santo ajuda-nos a superar as debilidades da carne. O Espírito Santo purifica o ser humano e o eleva à vida de Deus, de modo que a fraqueza da carne será absorvida pela força do Espírito e quem era carnal será doravante espiritual, graças à comunhão do Espírito. Assim os mártires testemunharam a morte não segundo a fraqueza da carne, e sim conforme a prontidão do Espírito. O ser humano será vivente pela participação do Espírito. Onde há o Espírito do Pai, há o homem vivente, um sangue racional, uma carne possuída pelo Espírito, adquirindo a qualidade do Espírito e se torna conforme ao Verbo de Deus. Se de fato recebemos o Espírito de Deus, andemos em novidade de vida, obedecendo a Deus.

Para Cirilo de Jerusalém, Bispo do século IV afirmou que o Espírito Santo é extraordinário, nos dons dos quais Ele é portador. Ele conhece a natureza de cada um de nós, discernindo os pensamentos e a consciência, tudo aquilo que pronunciamos e meditamos na mente. É claro que o seu mistério ultrapassa tudo o que pensamos. O Espírito Santo faz-nos entrar em comunhão com todas as pessoas locais e do mundo inteiro, povos nos quais não se tem alguma notícia. Considera a Igreja que se espalha pelo mundo afora, doando a alguém a misericórdia, a outro, o amor pela pobreza, a outro ainda o poder de expulsar os espíritos adversos. Como a luz, emanando de um único raio ilumina toda a coisa, assim também o Espírito Santo ilumina aqueles que tem os olhos para vê-lo. Pode-se imaginar o poder do Espírito Santo que se estende por todo o universo. Ele está sobre as virtudes, os principados, os tronos, as dominações, estando na cabeça de todos como mestre e santificador na qual sendo Deus prepôs o Paráclito. Enquanto os anjos são chamados a servir, o Espírito conhece os desígnios de Deus como afirma o Apóstolo: “A nós, porém, Deus o revelou por meio do Espírito, pois o Espírito sonda tudo, até mesmo as profundezas de Deus” (1 Cor 2,10).

            Já São Basílio de Cesaréia, bispo no século IV afirmou que a pessoa que deseja sair da mediocridade, e lançar-se em alto, como um peixe emerge na superfície proveniente das profundezas, verá na razão da criação puríssima, o Espírito Santo, onde são o Pai e o Filho, o Espírito o qual da mesma substância e natureza possui toda a coisa, a bondade, a justiça, a santidade, a vida. A Escritura Sagrada o chama de Santo Espírito (Sl 50,13). Como o calor não pode estar separado do fogo, nem a luz da lâmpada, assim também não podem estar separados do Espírito a santificação, a bondade, a justiça. Como o Pai é um e o Filho é um, assim também o Espírito é um. Aquele que é superior à criação, santifica aqueles que são santificados em vista da paz e do amor de todos. O Espírito enche os anjos, os arcanjos, santifica as potestades, vivifica tudo. Ele se dá em diversas formas na criação, sem jamais resultar diminuído. Como o sol ilumina os corpos e se dá a eles em modo diverso sem que por isso resulte diminuído, da mesma forma ocorre ao Espírito, o qual concede a todos a sua graça, permanecendo intato e indiviso. Ilumina todos ao conhecimento de Deus, entusiasma os profetas, torna sábios os legisladores, consagra os sacerdotes, consolida os reis, aperfeiçoa os justos, alarga o dom da santificação, ressuscita os mortos, liberta os prisioneiros e torna filhos os estrangeiros.

            Santo Agostinho, bispo dos séculos IV e V, tinha presentes que o Espírito Santo geme em nós, fazendo-se entender assim que somos peregrinos, nos ensina a suspirar para a pátria celeste, e por isso o desejo nos faz gemer, gritar. Aquele que conhece o peso oprimido da natureza mortal e sabe ser peregrino neste mundo, rumo ao Senhor e que tem a consciência de não possuir ainda a bem-aventurança eterna que lhe foi prometida, mas a terá quando Senhor vier na sua glória, verá na luz da sua glória, Aquele que sabe tudo disso, por que desejou a graça do Espírito. É o Espírito que lhe ensina a gemer, da pomba aprendeu a gemer. Nós devemos gemer no Espírito por Deus, na alegria e no amor.

            Pentecostes é a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e sobre toda a Igreja. Vivamos os dons do Espírito Santo a serviço dos outros, do Reino de Deus e para a glória de Deus Uno e Trino.

O post O Espírito Santo na missão da Igreja e no mundo apareceu primeiro em CNBB.


Fonte: Noticias da CNBB

Artigos relacionados