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Dom Walmor Oliveira de Azevedo é o primeiro entrevistado do programa “Bispos do Brasil”

O arcebispo de Belo Horizonte e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, foi o primeiro entrevistado do programa estreado pela TV Evangelizar chamado “Bispos do Brasil”. A atração, que vai entrevistar os bispos das dioceses brasileiras, apresenta um pouco da vida, da trajetória e das visões do episcopado sobre a realidade. Exibido na última sexta-feira, 22 de maio, o programa abordou a missão de dom Walmor à frente da conferência episcopal: “Nós nos congregamos na força do amor e à luz da fé para fecundar entre nós a colegialidade”, disse o presidente da CNBB.

Abaixo, alguns destaques da entrevista:

 

Trajetória vocacional

Ser padre é o desejo maior do meu coração, é a razão do meu viver ser padre para ser servidor de homens e mulheres, anunciando o Evangelho de Cristo na sua Igreja.

 

Eleição para presidente da CNBB

Antes da Assembleia, muitos irmãos bispos me disseram que seria muito bom que eu aceitasse caso fosse eleito para presidir a CNBB. Naqueles momentos ou meses precedentes, procurei cultivar com muita sinceridade no meu coração não desejar, até porque se configura como um poder a ser exercido e não é bom para o coração de quem é discípulo desejar exercer poderes, mas apenas estar disponível quando chamado a prestar serviços. Portanto, recebi a graça de não desejar. E quando aconteceu a eleição, procurei ser muito simples, diante da confiança depositada em mim por parte dos irmãos bispos e quis dizer que assumia com muito temor e tremor na fé, com humildade. E assim que procuro percorrer esse caminho, compreendendo a complexidade dos desafios, das necessidades, e ao mesmo tempo agregando pessoas, para dar respostas. 

Dom Walmor concede entrevista ao jornalista Everton Barbosa | Foto: reprodução TV Evangelizar

Finalidade da Conferência

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil tem uma história bonita de 67 anos, congregando muitas histórias, muitas pessoas, muitos pastores, leigos e leigas, servindo num horizonte bonito e evangelizador.

Os bispos pertencem a um colégio apostólico – em profunda comunhão com o Papa […] – em cada nação, os membros do colégio apostólico, sucessores dos apóstolos de Jesus Cristo, que fundou a Igreja Católica e que nos dá um caminho a seguir, nós nos congregamos como conferência. Não como um clube de amigos, não como uma ONG, não como um time de futebol, muito menos como um partido político. Nós nos congregamos na força do amor e à luz da fé para fecundar entre nós a colegialidade, isto é, a comunhão que nos une pela força do amor e da fé.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil existe e tem o seu coração nesta experiência de colegialidade afetiva e efetiva. E, a partir, portanto, desta vinculação profunda, respeitosa e reverente ao caminho e à história de cada Igreja particular, ou seja, de cada diocese com suas paróquias, redes de comunidades, leigos e leigas, ministros e evangelizadores, nós juntos procuramos compartilhar, de modo a servir mais, melhor e comprimirmos a tarefa que o Senhor Jesus Cristo nos deu de sermos e fazermos discípulos Dele todos os povos.

 

Meta de trabalho na CNBB e desafios a enfrentar em três campos fundamentais

Formação integral

Nós estamos num tempo em que a formação integral é o entendimento importante e bonito que nós somos uma pessoas, que cada pessoa, todos nós somos humanos, precisamos de espiritualidade, precisamos de conhecimento, precisamos de competência técnica, portanto uma formação integral como algo estratégico e determinante.

 

Comunicação

Nós estamos no coração do mundo para comunicar o Evangelho de Jesus Cristo e queremos fazer isso com os meios e instrumentos e com os equipamentos e ferramentas à nossa disposição e, portanto, precisamos usufruir de tudo isso e fazer da comunicação uma comunicação estratégica, performativa, forte, para ajudar as pessoas a compreender um novo caminho num tempo em que nós precisamos apostar como nos convida o Papa Francisco, à luz dos valores do Evangelho e de fontes inesgotáveis que temos, num novo humanismo.

 

Gestão Administrativo-financeira

Algo muito fundamental para a sustentabilidade da Igreja nos seus projetos, no serviço aos pobres, na evangelização, mas também para ser exemplar num mundo muito marcado pela corrupção, pela indiferença para com os pobres e sofredores, chamando as pessoas a compreender um novo caminho para a solidariedade e, por isso, tornando-nos credíveis e, de fato, pessoas competentes, nós possamos servir mais, sempre e melhor.

 

Ataques à CNBB

Nós estamos num tempo de muitas contradições, de muitas polarizações, de muito fechamento e de não entendimento solidário e verdadeiro para o bem que se faz. E por isso se fazem interpretações muitas vezes inadequadas, juízos que estão na contramão. Eu penso, então, que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil na sua história, no seu serviço e, na verdade, nos muitos desafios, não pode ser julgada simplesmente por qualquer tipo de juízo e nem tão simplesmente por um fato, por uma palavra ou até por um posicionamento isolado de algum membro, de alguns membros. A CNBB merece, porque é servidora da Igreja, muita reverência, porque é, de fato, credível dentro do contexto das instituições, mesmo com ataques. E com ataques muitas vezes vindos de incompreensões ou de algum descompasso que existe no seio de qualquer família. A CNBB é credível, uma credibilidade nascida dos valores do Evangelho e da fidelidade aos valores do Evangelho.

 

Diálogo

A CNBB é credível, uma credibilidade nascida dos valores do Evangelho e da fidelidade aos valores do Evangelho. Por isso, nós olhamos a  todos como irmãos e irmãs, na fraternidade, abertura, chamando ao diálogo, porque é verdade: se há alguém que não compreende aquilo que não é a realidade a partir do que ele julga, é preciso oferecer a oportunidade, com todo o respeito, sem perder o rumo, sem parar no caminho, seguindo adiante na meta que nós temos que fazer. Por isso, a Igreja é a Igreja de Jesus Cristo, é a  aberta. E a CNBB está aberta ao diálogo, com autoridades, com segmentos importantes da sociedade, com formadores de opiniões, com a pessoa simples da comunidade. Essa é uma tarefa que nós não vamos arredar o pé de cumpri-la e cumpri-la à luz dos valores do Evangelho.

 

Dom Walmor participou do programa Bispos do Brasil | Foto: reprodução TV Evangelizar

Arquidiocese de Belo Horizonte

“Gosto muito daqui. Aqui estou e aqui quero servir, até o fim.” 

 

A figura do bispo na sociedade

As pessoas não respeitam o bispo como antigamente, exatamente por uma coisa muito bonita que é a grande tônica do Papa Francisco: o bispo para ser respeitado hoje ele tem que ser próximo, dialogal em intercâmbio e em escuta, indo ao encontro das pessoas. Essa é uma característica fundamental e determinante. E, nesse contexto novo, eu sinto pessoalmente, mesmo em meio às contradições, até as divergências, e até ao modo de pensar diferente, as diferenças que podem se tornar enriquecimento, eu me sinto profundamente amado por meu povo, respeitado, e juntos enfrentamos enormes desafios.

 

Renúncias de bispos com menos de 75 anos

Cansaço, esgotamento, adoecimento têm atingido nossos bispos. Este é um longo e grande desafio, mas nós podemos dar novas respostas porque se trata de uma síndrome contemporânea – síndrome de Bornout. […] 

Um bispo é uma pessoa humana, não é um super-homem. Somos desafiados a cuidar de nós para cuidar dos outros e enfrentar o cansaço, esgotamento e o adoecimento. É preciso investir profundamente na espiritualidade. 

Nós temos fontes onde nos alimentar, mas o esgotamento é um desafio que nós temos que enfrentar pensando os servidores na Igreja, os cuidadores, aqueles que cuidam de muitas pessoas.

 

Relacionamento com o Papa Francisco

Em primeiro lugar, tenho muita reverência à pessoa dele, numa comunhão muito profunda, compreendendo os desafios que ele enfrenta dentro e fora da Igreja, mas numa fidelidade muito grande.

Trata-se de um homem de Deus, um homem sincero, humilde, aberto e que nos acolhe e que podemos com ele compartilhar o que sentimos. E na sua sinceridade muito nos ajuda. É um momento difícil no contexto interno da Igreja, também influenciada pelo contexto externo de mundo, mas nós temos nessa figura uma figura admirável, uma figura que precisa de fato ser  inspiração para todos nós numa fidelidade bonita aos valores do Evangelho.

 

Abaixo, assista à integra do programa. Nesta sexta-feira, 29 de maio, o entrevistado é o bispo de Rio Grande (RS) e presidente da Comissão para a Vida e a Família da CNBB, dom Ricardo Hoepers.

 

 

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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