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54° Dia Mundial das Comunicações

Cardeal Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)

 

Neste domingo da Ascensão do Senhor, dia 24 de maio, celebramos o 54° dia mundial das comunicações. É o único dia que o Concílio Vaticano II criou e isso está explícito no decreto Inter Mirifica. Como é costume, por ser muito importante esse dia, o Santo Padre, o Papa Francisco escreveu uma mensagem aprofundando o tema desse dia. A mensagem do Papa Francisco, tem como tema: “Para que possas contar e fixar na memória” (Ex 10,2) A vida faz-se história”. Ele dedica esta mensagem ao tema da narração, ou seja, “para não nos perdermos, penso que precisamos de respirar a verdade das histórias boas: histórias que edifiquem, e não as que destruam; histórias que ajudem a reencontrar as raízes e a força para prosseguirmos juntos. Na confusão das vozes e mensagens que nos rodeiam, temos necessidade duma narração humana, que nos fale de nós mesmos e da beleza que nos habita; uma narração que saiba olhar o mundo e os acontecimentos com ternura, conte a nossa participação num tecido vivo, revele o entrançado dos fios pelos quais estamos ligados uns aos outros (Retirado do site: http://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/papa-francesco_20200124_messaggio-comunicazioni-sociali.html / último acesso: 21/05/2020).

O Papa Francisco, dividiu a mensagem em cinco tópicos: 1- Tecer histórias; 2- Nem todas as histórias são boas; 3- A História das histórias; 4- Uma história que se renova e 5- Uma história que nos renova.

 

1 – Tecer histórias

O Papa fala da relação do homem com a história. “O homem é um ente narrador. Desde pequenos, temos fome de histórias, como a temos de alimento. Sejam elas em forma de fábula, romance, filme, canção, ou simples notícia, influenciam a nossa vida, mesmo sem termos consciência disso. Muitas vezes, decidimos aquilo que é justo ou errado com base nos personagens e histórias assimiladas. As narrativas marcam-nos, plasmam as nossas convicções e comportamentos, podem ajudar-nos a compreender e dizer quem somos” (Retirado do site: http://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/papa-francesco_20200124_messaggio-comunicazioni-sociali.html / último acesso: 21/05/2020). O homem é um verdadeiro narrador, porque em devir: descobre-se e enriquece-se com as tramas dos seus dias. Mas, desde o início, a nossa narração está ameaçada: na história, serpeja o mal (reporta-se a queda de Adão e Eva).

 

2 – Nem todas as histórias são boas

Para falar deste tópico, O Papa Francisco lembra da queda dos nossos primeiros pais (Adão e Eva) e justamente ele recorda a tentação em que o homem e a mulher passaram na história do Gênesis. “Se comeres, tornar-te-ás como Deus» (cf. Gn 3, 4): esta tentação da serpente introduz, na trama da história, um nó difícil de desfazer. “Se possuíres…, tornar-te-ás…, conseguirás…”: sussurra ainda hoje a quem se utiliza do chamado storytelling para fins instrumentais” (Retirado do site: http://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/papa-francesco_20200124_messaggio-comunicazioni-sociali.html / último acesso: 21/05/2020). “Frequentemente, nos «teares» da comunicação, em vez de narrações construtivas, que solidificam os laços sociais e o tecido cultural, produzem-se histórias devastadoras e provocatórias, que corroem e rompem os fios frágeis da convivência. Quando se misturam informações não verificadas, repetem discursos banais e falsamente persuasivos, percutem com proclamações de ódio, está-se, não a tecer a história humana, mas a despojar o homem da sua dignidade” (Retirado do site: http://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/papa-francesco_20200124_messaggio-comunicazioni-sociali.html / último acesso: 21/05/2020).

 

3 – A História das histórias

O Papa aqui enfatiza a História Sagrada que está contida na Sagrada Escritura. “Neste sentido, a Bíblia é a grande história de amor entre Deus e a humanidade. No centro, está Jesus: a sua história leva à perfeição o amor de Deus pelo homem e, ao mesmo tempo, a história de amor do homem por Deus. Assim, o homem será chamado, de geração em geração, a contar e fixar na memória os episódios mais significativos desta História de histórias: os episódios capazes de comunicar o sentido daquilo que aconteceu” (Retirado do site: http://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/papa-francesco_20200124_messaggio-comunicazioni-sociali.html / último acesso: 21/05/2020).

 

4 – Uma história que se renova

A história de Cristo não é um património do passado; é a nossa história, sempre atual. Mostra-nos que Deus tomou a peito o homem, a nossa carne, a nossa história, a ponto de Se fazer homem, carne e história. Na história de cada homem, o Pai revê a história do seu Filho descido à terra. Cada história humana tem uma dignidade incancelável. Por isso, a humanidade merece narrações que estejam à sua altura, àquela altura vertiginosa e fascinante a que Jesus a elevou. “Por obra do Espírito Santo, cada história, mesmo a mais esquecida, mesmo aquela que parece escrita em linhas mais tortas, pode tornar-se inspirada, pode renascer como obra-prima, tornando-se um apêndice de Evangelho. Assim as Confissões de Agostinho, o Relato do Peregrino de Inácio, a História de uma alma de Teresinha do Menino Jesus, Promessi sposi de Alexandre Manzoni, os Irmãos Karamazov de Fiódor Dostoevskij… e inumeráveis outras histórias, que têm representado admiravelmente o encontro entre a liberdade de Deus e a do homem” Retirado do site: http://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/papa-francesco_20200124_messaggio-comunicazioni-sociali.html / último acesso: 21/05/2020).

 

5 – Uma história que nos renova

“Quando fazemos memória do amor que nos criou e salvou, quando metemos amor nas nossas histórias diárias, quando tecemos de misericórdia as tramas dos nossos dias, nesse momento estamos a mudar de página. Já não ficamos atados a lamentos e tristezas, ligados a uma memória doente que nos aprisiona o coração, mas, abrindo-nos aos outros, abrimo-nos à própria visão do Narrador” (Retirado do site: http://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/papa-francesco_20200124_messaggio-comunicazioni-sociali.html / último acesso: 21/05/2020).

Somos chamados a ser bons narradores e, também, propagar para o mundo histórias que nos constroem e cooperam para a formação integral do ser humano. O Papa Francisco, termina sua mensagem fazendo uma oração a Virgem Maria e é a Ela que queremos pedir sua intercessão justamente neste dia onde celebramos Maria com o título de Auxilium Cristianorum. “Maria, mulher e mãe, Vós tecestes no seio a Palavra divina, Vós narrastes com a vossa vida as magníficas obras de Deus. Ouvi as nossas histórias, guardai-as no vosso coração e fazei vossas também as histórias que ninguém quer escutar. Ensinai-nos a reconhecer o fio bom que guia a história. Olhai o cúmulo de nós em que se emaranhou a nossa vida, paralisando a nossa memória. Pelas vossas mãos delicadas, todos os nós podem ser desatados. Mulher do Espírito, Mãe da confiança, inspirai-nos também a nós. Ajudai-nos a construir histórias de paz, histórias de futuro. E indicai-nos o caminho para as percorrermos juntos” (Retirado do site: http://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/papa-francesco_20200124_messaggio-comunicazioni-sociali.html / último acesso: 21/05/2020).

Ontem e hoje somos provocados na missão de testemunhar o Evangelho no tempo presente através das histórias contadas. Em tempos de pandemia, com as celebrações transmitidas pelas mídias, a Igreja precisou reinventar a sua maneira de estar próximo das pessoas com os aconselhamentos, catequeses, evangelização e missas. Os fiéis estão ansiosos para voltar a participar presencialmente das celebrações dos sacramentos, particularmente de comungar o Corpo e o Sangue de Cristo. Quando nossas igrejas forem reabertas e nossas celebrações com a presença do povo retomarem, não poderemos esquecer os fiéis que, de sua Igreja de origem, permanecerão ligados a ela. Por isso, este dia é um momento propício para caminharmos de mãos dadas com o Magistério da Igreja, com reflexões teológicas e tecnológicas para valorizar ainda mais a nossa presença neste ambiente. É preciso que as pessoas que vivem a experiência da igreja doméstica continuem a sentir a presença da Igreja.

O Espírito Santo continua a escrever em nosso coração, renovando em nós a memória daquilo que somos aos olhos de Deus. Quando fazemos memória do amor que nos criou e salvou, quando colocamos amor nas nossas histórias diárias, quando tecemos de misericórdia as tramas dos nossos dias, nesse momento estamos mudando de página. Com o olhar do Narrador, o único que tem o ponto de vista final, aproximamo-nos depois dos protagonistas, dos nossos irmãos e irmãs, atores juntamente conosco da história de hoje. Sim, porque ninguém é mero figurante no palco do mundo; a história de cada um está aberta a possibilidades de mudança. Que Nossa Senhora que tudo guardou e meditou no seu coração as histórias de Deus nos ajude a tecer tudo o que acontece em nossa vida com a luz divina!

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Fonte: Noticias da CNBB

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