CNBB

Grupo de risco em tempo de pandemia

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

 

Em tempos de pandemia, as pessoas com comorbidades e de uma certa idade tem sido foco de uma atenção especial. Como também me incluo nesse grupo de risco creio que é interessante aprofundar um pouco esse assunto neste momento tão crucial que vivemos. A orientação é clara: temos que guardar os nossos idosos em casa e tomar todo cuidado para que eles não saiam na rua. Assim, podemos evitamos que eles sejam contaminados pelo vírus. É importante também acompanhar a rotina de nossos idosos que ficaram em casa, para que não ocorra um quadro de depressão ou algo mais sério. Procurando sempre ligar para saberem como eles estão, fazer uma chamada de vídeo, se preocupando com eles.

Na medida do possível, orientando sobre como proceder na rotina do dia a dia, para não ficarem ociosos, somente na televisão. Mas orientando para que façam uma boa leitura de um livro, cursos novos, eventos específicos, trabalhos manuais como por exemplo, um crochê, tricô, enfim, para de alguma forma manterem a cabeça ativa. E, prioncipalmente, orientá-los a rezar, conversarem com Deus, assistirem à Missa pela televisão, a oração do terço, na pequena igreja doméstica de suas casas, para acalmarem também o coração e a mente. Muitos idosos diante dessa pandemia podem achar que é o fim da humanidade, ou que ele próprio ou algum de seus entes queridos venham a contrair o vírus. E a partir da oração devem ir tranquilizando mais o seu coração e entendendo que de certa maneira essa pandemia faz com que nós estejamos alertas como humanidade a retomar rumos importantes, para repensar atitudes e também se voltar mais para Deus e para o próximo, se amar e se respeitar mais uns aos outros, de forma que assim a humanidade possa ser melhor.

Cabe às pessoas que podem sair na rua, ir ao mercado, à feira (e a alguns lugares que os idosos não podem ir) ajudá-los nas necessidades mais essenciais e aqueles que têm o contato com os idosos, tomar todo o cuidado possível, lavando bem as mãos e higienizando com álcool em gel e, também, fazer o mesmo com os alimentos ou qualquer outra embalagem que for levar na casa das pessoas idosas, higienizando bem antes de guardar.

Aqueles que moram com idosos e não podem fazer o “home office” e tem que ir trabalhar todos os dias, tomar todos os cuidados, indo trabalhar de máscara e, ao chegar em casa, imediatamente trocar a roupa que estava e ir tomar um banho. São cuidados que devemos ter agora com os chamados grupos de risco que são os idosos, mas que de certa maneira teremos que ter sempre. Algumas coisas que acontecem, servem de lição para nós, para que depois do acontecido possamos mudar de atitude e sermos mais conscientes. A atenção aos idosos deveria ser uma constante em nossas vidas. Foi necessário até fazer um estatuto dos idosos para chamar a atenção da sociedade sobre essa realidade. Agora com o perigo dessa pandemia essa atenção deve ser ainda mais aprofundada.

Esse vírus veio justamente para nos alertar, para sermos melhores em nossas atitudes daqui para frente, seja conosco mesmo e com os idosos. Vimos como somos interdependentes uns dos outros e essa atenção deve fazer parte de nosso amor ao próximo. Não é só agora que devemos proteger e cuidar de nossos idosos, mas sempre, dar atenção, carinho e respeito.

Na medida do possível, nesse tempo de pandemia, proteger os nossos idosos e mesmo de longe procurar “estar perto” deles e conversar com eles para que não se desesperem com tudo isso que está acontecendo, mas que possam ir vivendo e se cuidando, entregando cada dia nas mãos de Deus, que logo passará essa pandemia e poderão a voltar às suas atividades de antes, normalmente.

Agora que está chegando o tempo do frio, a estação do inverno, cuidar para que também eles se agasalhem bem e se protejam, para que não venham a ficar resfriados ou peguem alguma doença pulmonar, que possa leva-los ao hospital com o perigo de serem infectados. Mas protegê-los em casa ficando bem agasalhados e, o quanto antes, sem problemas voltar a sua vida normal.

Os idosos por vezes no Brasil são muito desrespeitados, seja na fila do banco, do mercado, no ônibus, na rua. Muitas vezes por seus próprios filhos que acabam abandonando-os. Muitas vezes os filhos acabam se esquecendo de seus pais na velhice, o que pode acarretar outras doenças como depressão e tristeza.  Por isso que essa situação que estamos enfrentando vem como um alerta para tratarmos melhor os nossos idosos, tendo mais respeito com eles, seja em casa ou na rua.

Que o ser humano melhore as suas atitudes, tenha mais amor, carinho e, sobretudo, respeito com os mais velhos, cuidando e dando atenção sempre e escutando eles, pois muitas vezes o que as pessoas idosas querem é justamente de alguém que as escute, que lhes dê atenção.

Muitos idosos fazem parte de diversos grupos pastorais em nossas paróquias, mas tem também o grupo próprio de pastoral para eles que procura acompanha-los em suas realidades. É um bom momento para refletir em fomentar ainda mais essa pastoral. Com o retorno da participação presencial ainda será restritiva a participação deles nas celebrações, porém teremos que encontrar meios para chegar até eles a Eucaristia. Muitos, incansavelmente, servem ao “Senhor”, ajudam os nossos incansáveis padres em nossas paróquias. Por isso, a nossa gratidão, com a nossa incessante oração e agradecimento por todos eles, e que de casa continuem rezando com e pela Igreja, para que logo tudo possa ser retomado com renovado ardor.

Rezemos por nós e por nossos idosos para que logo que passar este momento difícil possamos voltar a nossa vida “normal”, reunindo-nos em família, visitando nossas mães e avós, sem preocupação de contrair doença, mas é claro sempre tendo cuidado que deve permanecer a partir de agora.

Rezemos, também, por tantos idosos que foram acometidos por esta doença, muitos que morreram ou que se encontram em estado grave nos hospitais, rezemos por suas famílias, para que Deus lhes conforte e lhes dê ânimo para seguir em frente.

Façamos um ato de amor fazendo uma ligação ou um vídeo para uma pessoa idosa levando a ela a sua gratidão pela sua vida e pelo seu testemunho de vida.

Que Deus cuide de cada um de nós e de nossos idosos e juntos venceremos mais essa batalha e logo estaremos juntos novamente. Que Deus nos abençoe e fortaleça.

 

 

 

 

 

 

O post Grupo de risco em tempo de pandemia apareceu primeiro em CNBB.


Fonte: Noticias da CNBB

Artigos relacionados