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A acolhida dos mandamentos de Jesus

Por Dom Vital Corbellini
Bispo de Marabá (PA)

 

No evangelho de João (Jo 14,21-26), Jesus fala que o amor a Ele passa pela acolhida de seus mandamentos e a sua observância, a sua prática, em outras palavras. Os mandamentos da Lei de Deus que nos são dados em Jesus Cristo, referem-se ao amor a Deus, ao próximo como a si mesmo. Jesus resumiu toda a lei e os profetas nestes mandamentos essenciais para a nossa vida cristã sendo a forma de segui-lo e testemunhá-lo no mundo de hoje. Jesus continua a sua palavra afirmando que quem o ama, será amado pelo Pai e também o Filho o amará e haverá uma manifestação na pessoa. Sabemos que o amor de Jesus Cristo é o amor do Pai, e o amor do Pai é o amor de Jesus Cristo e caso a pessoa ama a Jesus será amada pelo Pai sendo que o amor do Pai é dado no Filho. Que algo sublime é concedido para cada um de nós, sabermos que somos amados pelo Filho e pelo Pai. Mas isso se torna vida em nós, se também acolhermos os mandamentos do Senhor e observá-los com alegria e com amor.

Judas, não o Iscariotes, quis saber de Jesus como será esta manifestação a eles e que não será dada ao mundo?! Jesus continua a sua palavra de despedida na qual estava na última ceia, afirmando que se alguém o ama, guardará a sua palavra e o Pai o amará e tanto o Filho como o Pai virão e farão naquela pessoa, morada humana e divina. Como isso é profundo, divino porque nada foge ao desígnio salvífico de Deus Uno e Trino pelo bem realizado neste mundo, pelo amor doado, sobretudo, aos mais frágeis da sociedade. A fórmula concreta é amar o Senhor Jesus Cristo, guardar a sua palavra que é de vida eterna. O Pai e o Filho farão morada em nós, pelo amor a Jesus Cristo. Somos chamados a viver a Palavra de Jesus, para que tudo isso ocorra, de uma forma simples, mas bem objetiva onde estamos, na família, na comunidade e na sociedade. Ora Jesus Cristo tem presente também a situação contrária, porque quem não o ama, não guardará a sua palavra e não a viverá. É preciso amar Jesus Cristo para que a sua palavra tenha vez e voz dentro de cada um de nós. Novamente Jesus afirma que a Palavra que estava sendo dita, não era sua, mas era do Pai que o enviou. A alusão ao Pai é algo essencial na prática de Jesus Cristo. As palavras que Ele diz não são ditas por Ele mesmo, mas é o Pai que permanecendo em Jesus, realiza aquelas palavras e ações. Jesus está no Pai e o Pai está em Jesus Cristo. Jesus é o revelador do Pai, do qual os discípulos devem vê-lo daquela forma, por que quem ama o seu mandamento, será amado pelo Pai, pois tudo é feito em unidade com o Pai.

Em seguida Jesus afirma que o Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em seu nome, ensinará tudo, e recordará tudo o que o Senhor Jesus Cristo falou para eles. O Espírito Santo virá como dom do Pai aos discípulos e a todos nós. É dito como o Santo de Deus, na revelação dada no AT, na promessa de Deus que falará no coração, no interior da pessoa, sendo instruída pelo Senhor mesmo (Jr 31,33-34). O primeiro ponto é o ensinamento que o Espírito Santo dará aos discípulos, levando-os à verdade, que é Jesus Cristo. Ele recordará tudo, no sentido da memória, da pessoa de Jesus Cristo como encarnado, morto e ressuscitado, suas palavras, gestos, ações. O Espírito Santo lembrará tudo o que Jesus Cristo disse sobre a paz, a cruz, o perdão, o amor a Deus, ao próximo como a si mesmo. O Espírito Santo é o amor do Pai e do Filho e nos introduz à vida divina, dando-nos a alegria da santidade de vida e um dia a vida eterna.

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Fonte: Noticias da CNBB

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