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57º dia Mundial de Oração pelas vocações

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

Neste domingo, dia 03 de maio, com o Domingo do Bom Pastor, 4º Domingo da Páscoa, celebramos o 57º dia mundial de oração pelas vocações. A vocação acima de tudo é um chamado divino, Ele nos chama para segui-lo onde quer que estejamos e em qualquer situação que nos encontramos. Seja para segui-lo mais de perto na vida sacerdotal ou mesmo através do matrimônio ou algum outro tipo de chamado em que eu possa servi-lo assumindo o meu batismo. Existem diversas vocações, o Senhor nos chama para inúmeras delas, cabe a nós ouvirmos esse chamado de Deus e trabalhá-lo em nosso coração e descobrir qual é a nossa vocação.

Como que nós descobrimos a nossa vocação? É por meio da oração que descobrimos a nossa vocação, primeiro escutamos o chamado de Deus e depois trabalhamos esse chamado no nosso coração para ver se de fato é para aquela vocação que Deus me chamou. Existem inúmeros serviços que eu posso prestar na Igreja ou na sociedade e eu tenho que ver em qual deles eu me encaixo.

Assim como a parábola dos talentos que Jesus nos conta, Deus nos deu talentos, mas temos que escolher aquele no qual eu tenho mais aptidão. Posso ter talento para música, para falar em público, para constituir família ou ainda sim para o sacerdócio. O que nós não podemos é enterrar o nosso talento com medo do Senhor e não produzir fruto ou não fazer a escolha acertada. A vocação é um caminho deve ser trilhado e nos levar com segurança para o lugar certo. Abaixo segue a parábola dos talentos para pensarmos um pouco quando escutamos o chamado do Senhor e abraçar a vocação.

“Porque será também como um homem que, partindo para fora da sua terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens;

15 E a um deu cinco talentos, e a outro, dois, e a outro, um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe.

16 E tendo ele partido, o que recebera cinco talentos negociou com eles, e ganhou outros cinco talentos.

17 Da mesma forma, o que recebera dois ganhou também outros dois;

18 Mas o que recebera um foi enterrá-lo no chão, e escondeu o dinheiro do seu senhor.

19 E muito tempo depois veio o senhor daqueles servos, e ajustou contas com eles.

20 Então aproximou-se o que recebera cinco talentos, e trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei com eles.

21 E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.

22 E chegando também o que tinha recebido dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis que com eles ganhei outros dois talentos.

23 Disse-lhe o seu senhor: Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.

24 Mas, chegando também o que recebera um talento, disse: Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste;

25 E atemorizado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu.

26 Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Mau e negligente servo; sabes que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei;

27 Por isso te cumpria dar o meu dinheiro aos banqueiros, e quando eu viesse, receberia o meu com os juros.

28 Tirai-lhe, pois, o talento, e dai-o ao que tem os dez talentos.

29 Porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem será tirado.

30 Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes”. (cf Mt 25,14-30).

Mas nos voltando diretamente a mensagem que o Papa Francisco nos dirigiu para este dia voltando-se especificamente para a vocação ao sacerdócio. A mensagem na íntegra está na página: http://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/vocations/documents/papa-francesco_20200308_57-messaggio-giornata-mondiale-vocazioni.html.

O sacerdote é aquele que incansavelmente “gasta” o tempo de seu dia ouvindo os fiéis, dando-lhes atenção, consomem a sua vida em favor do povo de Deus. O Papa Francisco expressa nessa mensagem o carinho e o

apreço que ele tem pelos sacerdotes. Podemos comparar o chamado de Jesus a nós como a cena em que os discípulos estão na barca rumo a Tiberíades e o barco quase afunda por causa das ondas e dos ventos. A nossa vocação é assim cheia de ventos contrários e tribulações que encontraremos pelo caminho e podem nos fazer desistir, mas devemos nos acalmar e esperar a presença de Jesus para nos acalmar.

A Igreja é esta barca no meio do mar tendo que dia e noite enfrentar os ventos contrários que dão contra ela, como os pecados, calúnias, escândalos e difamações, mas a Santa Igreja permanece de pé graças a ação do Divino Espírito Santo. O amor de Deus por nós e pela Igreja também faz com que a Igreja permaneça adiante.

Assim acontece também no coração dos discípulos, que, chamados a seguir o Mestre de Nazaré, têm de se decidir a passar à outra margem, optando corajosamente por abandonar as próprias seguranças e seguir os passos do Senhor. Esta aventura não é tranquila: cai a noite, sopra o vento contrário, o barco é sacudido pelas ondas, e há o risco de sobrepor-se o medo de falhar e não estar à altura da vocação. Nesse momento devemos ter gratidão ao Senhor que apareceu para nos socorrer da tormenta da noite escura, devemos ter fé e confiar nossa vida ao Senhor para que ele nos livre de todo o mal.

A vocação nada mais é do que uma resposta gratuita ao chamado do Senhor por nós e consequentemente vamos conseguir abraça-la quando o nosso coração se abrir a gratidão e agradecermos a passagem do Senhor em nossa vida.

Na nossa caminhada vocacional precisamos muitas vezes que o Senhor nos encoraje para conseguirmos seguir adiante em meio as dificuldades da vida. Por vezes pensamos em desistir, mas o Senhor está ali nos dizendo “Coragem, Levanta-te”.

Por fim durante a nossa caminhada vocacional, sobretudo aos presbíteros é necessário o louvor. Rezar em diversos momentos, não só nos momentos de dificuldade, mas nos alegres também. Rezar a Santa Eucaristia todos os dias agradecendo ao Senhor por tudo o que ocorreu naquele dia, um louvor especial a Maria Santíssima sobretudo à partir da reza do terço, pedindo que a sua misericórdia e o seu amor cure o mundo todo. Toda Vocação que tem no cerne a Bem-Aventurada Maria Santíssima é uma vocação alegre e cultivada no amor de Mãe.

Rezar pelas vocações é um imperativo dos cristãos, como lembra o Papa Francisco: “Caríssimos, especialmente neste Dia de Oração pelas Vocações, mas também na ação pastoral ordinária das nossas comunidades, desejo que a Igreja percorra este caminho ao serviço das vocações, abrindo brechas no coração de todos os fiéis, para que cada um possa descobrir com gratidão a chamada que Deus lhe dirige, encontrar a coragem de dizer «sim», vencer a fadiga com a fé em Cristo e finalmente, como um cântico de louvor, oferecer a própria vida por Deus, pelos irmãos e pelo mundo inteiro. Que a Virgem Maria nos acompanhe e interceda por nós”. (http://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/vocations/documents/papa-francesco_20200308_57-messaggio-giornata-mondiale-vocazioni.html, último acesso em 29 de abril de 2020.)

Que a Virgem Maria nos ajude em nossas vocações, em a cada dia dizermos o “Sim” a Deus e nunca deixemos morrer a nossa vocação e no nosso serviço pastoral possamos ajudar muitas pessoas a dizer esse “Sim” a Deus e a se encontrarem em sua vocação seja ela qual for.

Que Deus nos abençoe e São Joao Maria Vianey interceda por nós e nossas vocações.

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Fonte: Noticias da CNBB

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