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Sou Bom Pastor, ovelhas guardarei!

Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG)

 

O 4º Domingo da Páscoa é considerado o “Domingo do Bom Pastor”, pois todos os anos a liturgia propõe, neste domingo, um trecho do capítulo 10 do Evangelho segundo João, no qual Jesus é apresentado como “Bom Pastor”. É, portanto, este o tema central que a Palavra de Deus põe hoje à nossa reflexão.

O Evangelho(cf. Jo 10,1-10) apresenta Cristo como “o Pastor”, cuja missão é libertar o rebanho de Deus do domínio da escravidão e levá-lo ao encontro das pastagens verdejantes onde há vida em plenitude (ao contrário dos falsos pastores, cujo objetivo é só aproveitar-se do rebanho em benefício próprio). Jesus vai cumprir com amor essa missão, no respeito absoluto pela identidade, individualidade e liberdade das ovelhas. No Evangelho de hoje podemos tomar duas palavras para a nossa reflexão: Escutar – Seguir. Escutar a voz do Pastor; seguir a sua voz; difícil nos tempos de hoje! Nos dias hodiernos, há uma necessidade impressionante, de estar “conectado” e, nessa ânsia de conexão, corre-se o risco de cair na desconexão. Estamos tão envolvidos pelas tecnologias da comunicação que nem percebemos que esta facilidade de comunicação virtual é um tipo de ilusão, fazendo-nos acreditar que estamos nos encontrando uns com os outros; na verdade, não estamos, pelo menos na forma que deveríamos: gozar da alegria de um encontro pessoal com uma pessoa amiga. Hoje em dia, muitas pessoas passam mais tempo com o computador, Tablet ou Celular do que com as pessoas com as quais convivem. Somos bombardeados por uma infinidade de sons, e muita gente não consegue viver sem eles. Muitas pessoas dizem não gostar do barulho, mas não conseguem ficar em silêncio. Consequentemente não escutam os outros nem a si mesmas. Uma pessoa imersa em tantos sons e distrações tem capacidade para ouvir a voz de Deus? Somos expostos a dezenas de propagandas por dia. Ficamos tão absorvidos pelos anúncios, vídeos, imagens que pouco a pouco, sem nos darmos conta, nossa maneira de pensar e agir vai mudando. Escutamos tantas propostas do espírito do mundo, como escutaremos a voz de Jesus Cristo? Como vamos seguir um caminho que nos realiza verdadeiramente e traz sentido à nossa vida, se permanecemos fascinados e encantados por propostas que não nos colocam limites? Corremos o risco de sermos sempre aquelas ovelhas que ainda não aprenderam a ouvir e seguir a voz do verdadeiro Pastor, Jesus Cristo, mas preferem seguir a voz de mercenários que levam à morte, e não à verdadeira vida de plenitude e realização.

A segunda leitura(cf. 1Pd 2,20b-25) apresenta-nos também Cristo como “o Pastor” que guarda e conduz as suas ovelhas. O catequista que escreve este texto insiste, sobretudo, em que os crentes devem seguir esse “Pastor”. No contexto concreto em que a leitura nos coloca, seguir “o Pastor” é responder à injustiça com o amor, ao mal com o bem.

A primeira leitura(cf. At 2,1-14a.36-41). traça, de forma bastante completa, o percurso que Cristo, “o Pastor”, desafia os homens a percorrer: é preciso converter-se (isto é, deixar os esquemas de escravidão), ser batizado (isto é, aderir a Jesus e segui-l’O) e receber o Espírito Santo (acolher no coração a vida de Deus e deixar-se recriar, vivificar e transformar por ela).

Uma mesma fé reúne os que acreditavam que ele devia vir e os que acreditam que ele já veio. Vemos entrar todos, em épocas diferentes, pela única porta da fé, quer dizer, Cristo. Sim, todos os que acreditaram no passado, no tempo de Abraão, de Isaac, de Jacob, de Moisés ou dos outros patriarcas e profetas que, todos eles, anunciavam Cristo, todos esses eram já suas ovelhas. Neles se ouviu o próprio Cristo, não como uma voz estranha, mas com a sua própria voz. Portanto, quem entrar por Jesus encontrará pastagem, isto é, alimento para a vida. E vida em abundância, a vida eterna. Pai torna-me um discípulo dócil de Jesus, o verdadeiro pastor que arriscou a própria vida para me salvar. Somente ele poderá conduzir-me para ti e contigo viver eternamente.

O Santo Padre, o Papa Francisco, pede que rezemos o terço no mês de maio pedindo a proteção de Nossa Senhora da Saúde contra a pandemia do corona vírus. Vamos rezar o terço em família, em casa, no trabalho ou sozinhos. A repetição piedosa destas orações nos aproximam mais dos mistérios do Redentor, o Bom Pastor que deu e continua dar a vida por suas ovelhas, e da Sua Mãe, Maria Santíssima.

Abramos nossos ouvidos e coração à voz de Deus; assim, teremos a coragem de seguir verdadeiramente Jesus Cristo! Coloquemos diante de nossas orações todos os Ministros ordenados e os todos os agentes de pastorais que estão à serviço do Reino de Deus!

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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