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Dia do índio, no caminho de uma “Terra sem males”

Dom Roberto Francisco Ferreria
Bispo de Campos (RJ)

Um dos acenos esperançosos desta pandemia mundial é que junto ao embate contra a doença, ao pensar no que virá depois, muitas vozes e mentes pensantes colocam que não será um voltar a “normalidade”, senão uma mudança qualitativa do estilo de vida e da própria civilização. Continuar a viver num sistema produtivista, excludente, desigual, que se importa pouco com a vida das pessoas, é um erro que nos levará não a um genocídio viral, mas uma ruína total da humanidade levando de carona toda a Terra.

O trabalho, as coisas, o próprio dinheiro, devem ser colocadas sempre na perspectiva da vida, do crescimento das pessoas, nunca tornar-se o fim último ou ser considerados a razão da felicidade. Nessa linha de pensamento, celebrar o dia do índio, lembrando-nos do lema da Campanha da Fraternidade 2002: “Povos indígenas, por uma Terra sem males”, significa buscar com estes povos a inspiração para uma verdadeira aliança civilizatória que possa fazer surgir e acontecer novas formas de economia, de convivência social, de espiritualidade, mais focalizadas na vida, saúde integral e no culto em adoração e verdade do Deus misericordioso e compassivo que quer ver a família humana unida, reconciliada e feliz.

Esses povos sofreram, desde cedo, no encontro com o nosso mundo, várias epidemias espontâneas pelo contato e depois muitas vezes planejadas por assassinos como os comancheiros no Norte ou bugreiros que davam roupas infestadas em varíola para contaminar os indígenas.

Mas, resistiram e estão vivos, embora com um número reduzido, e sua memória e testemunho pode ser indicativo do que alguns chamam de IFB índice de felicidade bruta, e que eles conceituam de bem viver ou bem conviver. Com eles, podemos aprender a respeitar e venerar os anciãos, como fonte de sabedoria, a iniciar as crianças nas tradições e culturas, nunca as considerando um estorvo, e ter claro que o que nos faz adoecer é a ruptura com a Criação, o construirmos paraísos artificiais sem vida, sem harmonia e equilíbrio.

Que o Senhor Ressuscitado nos possibilite superar o coronavírus, alcançando formas mais saudáveis de conviver e nos organizar, promovendo uma cultura da vida e da paz! Deus seja louvado!

 

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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