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Testemunhas do Ressuscitado

Dom Paulo Antônio De Conto
Administrador Apostólico da Diocese de Nova Friburgo

Queridos irmãos e irmãs, neste ano vivemos uma Semana Santa e uma Páscoa como nunca antes imaginamos passar. Igrejas vazias, fiéis impedidos de se reunirem em comunidade para celebrar a liturgia pascal e compartilhar a alegria do Ressuscitado. Esta privação é, para todo coração que ama a Deus, muito dolorosa.

Esta experiência impar na vida de cada um nós, deve nos levar à contemplação do grande mistério que envolve estas celebrações. Privado de sua liberdade, entregue aos algozes, Cristo não se deixou aprisionar por sentimentos odiosos. Em cada passo, com cada gota de suor e sangue redimiu toda a humanidade. Com a cruz que levou aos ombros conduziu-nos ao mais pleno gesto de amor.

Os discípulos, como nós muitas vezes, não conseguiram compreender o sentido de toda aquela dor, de todo aquele sofrimento. Esqueceram, ou não puderam compreender, as palavras que ouviram repetidas vezes do próprio Senhor. Vacilaram na fé. Fugiram. Esconderam-se. Buscaram entre os mortos Aquele que estava vivo.

Cumpriram-se as palavras de Jesus: “Se estes se calarem, clamarão as pedras!” (Lc 19, 40), quando os discípulos foram ao túmulo e encontraram as primeiras testemunhas da ressurreição: a pedra removida e os panos lançados ao chão (cf. Jo 20, 1-10).

Não podemos deixar que as dores deste tempo apaguem em nós a chama viva da ressureição. É verdade que tivemos nossos sonhos frustrados, muitos de nós experimentaram sofrimentos atrozes com enfermidades ou morte de amigos e familiares. Não pudemos nos reunir com os que amamos para os festejos pascais e tantas outras situações que poderíamos relatar aqui.

Ao mesmo tempo, quantos sinais de ressurreição pudemos tocar vivendo a liturgia na intimidade familiar e preparando nossas casas para celebrar o grande Mistério Pascal. Assumindo posturas como as de colocar ramos em nossas portas, cruzes e toalhas brancas em locais visíveis, nos tornamos testemunhas vivas e eficazes de um povo que acredita que apesar de todo sofrimento, a luz de Cristo ainda brilha.

O Papa Francisco em sua mensagem para a Páscoa convocou toda a Igreja ao “Contágio da Esperança”: “Nesta noite, ressoou a voz da Igreja: ‘Cristo, minha esperança, ressuscitou!’. É um ‘contágio’ diferente, que se transmite de coração a coração, porque todo o coração humano aguarda esta Boa Nova. É o contágio da esperança” (12 abr. 2020). E completou ressaltando

que não é uma fórmula mágica que faz desaparecer os problemas, mas é a vitória do amor sobre a raiz do mal, que transforma o mal em bem: “marca exclusiva do poder de Deus”.

Como testemunhas da ressurreição do Senhor, busquemos anunciar com alegria a vitória da vida sobre a morte. Enfrentemos os momentos difíceis de nossa existência com o coração repleto da certeza de que Deus nunca nos abandona. Ele está sempre ao nosso lado caminhando nosso calvário, para nos alimentar na esperança.

Uma Santa e Feliz Páscoa!

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Fonte: Noticias da CNBB

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