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Nossa confiança

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba

 

Terminada a Semana Santa, período da Paixão e Morte de Jesus, entramos na Festa da Páscoa, da Ressurreição do Senhor. Toda essa realidade marcada por um período de quarentena, com celebrações sem povo, templos vazios e num silêncio provocador de medo, de muitas incertezas quanto ao que pode vir em relação ao coronavirus, já que passamos de epidemia para uma pandemia.

Pensando bem, o coronavirus é uma grande ameaça para a integridade e a dignidade das pessoas. Transparece a vulnerabilidade do ser humano. Onde fica então a vida plena, se ela não é encontrada plenamente nas realidades do mundo? Onde fica a nossa esperança? Só o Cristo ressuscitado consegue preencher esse vazio existencial, porque Ele vence a morte com a vida definitiva.

O coronavirus é um alerta para a esperança. Exige de toda a humanidade um profundo processo de transformação, principalmente de conversão do coração, vencendo fronteiras e preconceitos. Mesmo com nossas diferenças, podemos ser mais tolerantes uns com os outros. Na visão da Páscoa, da esperança trazida por Cristo, não existe cidadão de segunda categoria, de melhores e piores.

 A Páscoa dos cristãos tem dimensão de êxodo, de saída da servidão para a liberdade, de integração total do ser humano, onde prevalece o mandamento do amor, do encontro com o outro e com Deus. É justamente aí que deve estar presente a nossa confiança, isto é, no Cristo ressuscitado e vivo, porque somente Nele prevalece a superação do ódio e das maldades que prejudicam as pessoas.

Confiar em Deus é ter atitude de fé. Encontrar o sepulcro vazio, no dia da Páscoa, provocou naturalmente nos apóstolos uma imediata incompreensão, mas esclarecida depois com as aparições de Jesus nas diversas circunstâncias. A fé tem marcas de desconfiança quando a pessoa ainda não fez um encontro pessoal com Deus, porque ninguém ama e acolhe aquilo distante de sua prática de vida.

Com a ressurreição de Jesus começa uma nova criação, uma nova dimensão de fé e de esperança, traduzido em vida, dignidade e amor. Aquele que olha para as coisas que o cercam com um olhar de fé consegue enxergar o mundo de forma diferente e caminha sem perder a confiança. É uma esperança, uma certeza, que não pode ser abafada, porque está apoiada no Cristo ressuscitado.

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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