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Semana Santa 2020

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

         A Semana Santa é o momento central de nossa liturgia e também um grande retiro espiritual das comunidades eclesiais, convidando os cristãos à conversão e renovação de vida. Ela se inicia com o Domingo de Ramos e se estende até o Domingo da Páscoa. É a semana mais importante do ano litúrgico, quando se celebram de modo especial os mistérios da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

         Neste ano de recolhimento em afastamento social, por causa da pandemia do COVID 19, iremos celebrar os mistérios da Semana Santa de maneira mais abreviada, sem a presença física dos fiéis, que nos acompanharão pelas mídias sociais, como o facebook, a Webtvredentor – http://www.webtvredentor.com.br/, a Rede Vida de Televisão, a Rádio Catedral e os meios de comunicação social da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro e a

         DOMINGO DE RAMOS – A celebração desse dia faz memória da entrada de Jesus em Jerusalém, onde vai para completar sua missão, que culminará com a morte na cruz. Os evangelhos relatam que muitas pessoas homenagearam a Jesus, estendendo mantos pelo chão e aclamando-o com ramos de árvores. Por isso hoje os fiéis carregam ramos, recordando o acontecimento. Imitando o gesto do povo em Jerusalém, querem exprimir que Jesus é o único mestre e Senhor.  Neste dia, por disposição da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – temos a clausura da Campanha da Fraternidade 2020 e é o tempo propício da coleta em favor da Campanha da Fraternidade. A coleta da solidariedade será realizada em data a ser confirmada, talvez no Dia Mundial do Pobre.

         2ª a 4ª FEIRA – Nestes dias, a Liturgia apresenta textos bíblicos que enfocam a missão redentora de Cristo. Nesses dias não há nenhuma celebração litúrgica especial, mas nas comunidades paroquiais, é costume realizarem procissões, vias-sacras, celebrações penitenciais e outras, procurando realçar o sentido da Semana, o que, porém, neste ano, só poderá ser através dos Meios de Comunicação.

         Tríduo Pascal 

         Na parte da manhã, na quinta-feira santa, às 10hs, eu irei presidir a Santa Missa de Bênção dos Santos Óleos – batismo, crisma e unção dos enfermos – com transmissão por uma rede de mídias. Os presbíteros irão renovar as suas promessas sacerdotais via televisão – já que não podemos ter aglomeração das pessoas. O povo de Deus é chamado a acompanhar pela Televisão e pela internet esta importante missa, chamada de Missa do Crisma.

         O ponto alto da Semana Santa é o Tríduo Pascal (ou Tríduo Sacro) que se inicia com a missa vespertina da Quinta-feira Santa e se conclui com as Vésperas do Domingo da Ressurreição. Os três dias formam uma só celebração, que resume todo o mistério pascal. Por isso, nas celebrações da quinta-feira à noite e da sexta-feira não se dá a bênção final; ela só será dada, solenemente, no final da Vigília Pascal.

         QUINTA-FEIRA SANTA

         Neste dia celebra-se a instituição da Eucaristia e do Sacerdócio ministerial. A Eucaristia é o sacramento do Corpo e Sangue de Cristo, que se oferece como alimento espiritual. De manhã só há uma celebração, a Missa do Crisma que, na nossa Arquidiocese terá transmissão de uma rede de mídias. Nesta Missa do Crisma acontece a consagração do óleo do Crisma e as bênçãos para os óleos dos catecúmenos e dos enfermos.

         Na quinta-feira à noite acontece a celebração solene da Missa, em que faz memória a instituição da Eucaristia e do Sacerdócio ministerial. Neste ano será omitida a cerimônia do lava-pés, em que o celebrante recorda o gesto de Cristo que lavou os pés dos seus apóstolos.         Nessa celebração também se recorda o mandamento novo que Jesus deixou: “Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei.” Comungar o corpo e sangue de Cristo na Eucaristia implica a vivência do amor fraterno e do serviço. Essa é a lição da celebração.

         SEXTA-FEIRA SANTA 

         A Igreja contempla o mistério do grande amor de Deus pelos homens. Ela se recolhe no silêncio, na oração e na escuta da palavra divina, procurando entender o significado profundo da morte do Senhor. Neste dia não há missa. À tarde acontece a Celebração da Paixão e Morte de Jesus, com a proclamação da Palavra, a oração universal, a adoração da cruz (neste ano sem o beijo da cruz) e a distribuição da Sagrada Comunhão (os fiéis na igreja doméstica farão a comunhão espiritual). Neste dia todos os fiéis, dos 18 anos até os 59 anos, devem fazer jejum. Todos os fiéis, à partir dos 14 anos até o fim da vida, devem se abster de carne.

Na primeira parte, são proclamados um texto do profeta Isaías (cf. Is 52,13-53,12) sobre o Servo Sofredor, figura de Cristo, outro da Carta aos Hebreus (cf. Hb 4,14-16;5,7-9) que ressalta a fidelidade de Jesus ao projeto do Pai e o relato da paixão e morte de Cristo do evangelista João (cf. Jo 18,1-19,42). São três textos muito ricos e que se completam, ressaltando a missão salvadora de Jesus Cristo.

O segundo momento é a Oração Universal, compreendendo diversas preces pela Igreja e pela humanidade. Aos pés do Redentor imolado, a Igreja faz as suas súplicas confiante. Neste ano acrescentaremos uma prece especial pelo fim da pandemia. Depois segue-se o momento solene e profundo da apresentação da Cruz, convidando todos a adorarem o Salvador nela pregado: “Eis o lenho da Cruz, do qual pendeu a salvação do mundo. – Vinde adoremos”.

         E o quarto momento é a comunhão. Todos revivem a morte do Senhor e querem receber seu corpo e sangue; é a proclamação da fé no Cristo que morreu, mas ressuscitou. Nesse dia a Igreja pede o sacrifício do jejum e da abstinência de carne, como ato de homenagem e gratidão a Cristo, para ajudar-nos a viver mais intensamente esse mistério, e como gesto de solidariedade com tantos irmãos que não têm o necessário para viver. Neste ano não faremos neste dia a Coleta para os Lugares Santos, e sim no dia 13 de setembro, véspera da Exaltação da Santa Cruz conforme o pedido da Custódia da Terra Santa aprovado pelo Papa Francisco.

         VIGÍLIA PASCAL 

         Sábado Santo é dia de silêncio e de oração. A Igreja permanece junto ao sepulcro, meditando no mistério da morte do Senhor e na expectativa de sua ressurreição. Durante o dia não há missa, batizado, casamento, nenhuma celebração.

         À noite, a Igreja celebra a solene Vigília Pascal, a “mãe de todas as vigílias”, revivendo a ressurreição de Cristo, sal vitória sobre o pecado e a morte. A cerimônia é carregada de ricos simbolismos que nos lembram a ação de Deus, a luz e a vida nova que brotam da ressurreição de Cristo. Neste ano, com o rito breve e mais simplificado contaremos com a participação dos paroquianos assistindo-nos de suas casas pelas mídias sociais.

         DIA DA PÁSCOA.

         A Páscoa que tem o seu início na Vigília Pascal se prolonga por todo o dia da Páscoa e pela Oitava da Páscoa, que são oito dias como um único dia, de Aleluia e ação de graças porque o Senhor Ressuscitou e está vivo entre nós! Depois continuamos até o 50º dia, Pentecostes.

Vivamos, com intensidade, este tempo da Semana Santa. Como Igreja Doméstica iremos celebrar a Semana Santa em união com a Igreja, pelos meios de comunicação. Os fiéis não poderão estar presentes fisicamente, mas atrás das lentes das câmeras e dos celulares, estaremos todos, em grande assembleia orante cibernética, caminhando com o Cristo que nos cura de todos os males e nos pede que vivamos e testemunhamos a vida plena. É um modo diferente, porém, real e sabemos que o Senhor saberá fazer dar frutos desse nosso tempo tão estranho. Santa e Feliz Páscoa da Ressurreição.

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Fonte: Noticias da CNBB

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