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Esperança ativa

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba

Quem diria que em um determinado tempo o mundo todo estaria em quarentena, provocada por um surto de um vírus tão minúsculo, mas feroz e capaz de mudar um cenário de história. É sinal de que o ser humano tem um perfil de impotência e não é dono de si mesmo. Pelo menos as pessoas têm a possibilidade de construir uma esperança ativa, de fé e de compromisso com a vida.

O medo, retrato do condicionamento humano, pode ser superado através da confiança em Deus, porque Ele é o autor da vida e aquele que pode provocar a chamada esperança ativa, de saída da imobilidade e do comodismo. A fragilidade da pessoa não significa incapacidade para construir perspectivas novas, mas é preciso agir e usar todos os meios de autodefesa, como o tempo de quarentena.

Ao chegar a Semana Santa, na evidência da paixão e morte de Cristo na cruz, toda humanidade experimenta um verdadeiro caminho de sofrimento vendo a morte de tantos entes queridos, infectados pelo coronavirus. Mais do que nunca, a realidade conduz as pessoas a olhar com confiança para a cruz do Senhor. Só ali é possível encontrar forças para enfrentar essa situação de pandemia.

O projeto de Jesus nasce no meio do sofrimento e das crises de seu tempo. Não será também diferente com o mundo e com todos os países enfrentando a fatalidade do covid-19? Todo sofrimento projeta para situações novas exigindo maior responsabilidade. Essa pandemia não está acontecendo por acaso. Devemos descobrir o que está cobrando do mundo, principalmente em relação à vida humana.

Ninguém pode “lavar as mãos” como o fez Pilatos. Ele não defendeu a vida de Jesus e jogou as responsabilidades do julgamento para o povo. Isso não passou de uma tática política em seu próprio benefício. A pena máxima romana tinha uma conotação política e o governador Pilatos não queria ficar mal visto pelo povo. Essa prática continua muito ativa entre diversos dos nossos governantes.

Falar de esperança ativa é olhar para a vida de Jesus, não simplesmente para as suas ideias e palavras, mas para as atitudes provocadoras de mudança de vida que Ele projetava. Para o Império Romano, Jesus era tumultuador da ordem. Ele não concordava com os instrumentos causadores de desrespeito para com o ser humano e de morte. Por isso tentavam de todo jeito neutralizar suas ações.

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Fonte: Noticias da CNBB

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