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Campanha da Fraternidade 2020

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba

Na década de 1960, nas imediações da Igreja Católica no Rio Grande do Norte, por iniciativa de alguns sacerdotes, teve início uma campanha com objetivos sociais. Essa feliz iniciativa visava dar atendimento às muitas necessidades da população mais sofrida da região. O projeto teve tamanha relevância e abrangência, e acabou sendo assumido como Campanha da Fraternidade nacional em 1964.

A história das Campanhas, nesses mais de cinquenta anos de existência, está tomando corpo e tem contribuído muito para a reflexão de temas que afetam as necessidades do povo brasileiro. Sabemos que existe um propósito evidente de fundo, que é iluminar a realidade social e convocar os cidadãos para o exercício de um compromisso com a construção de uma sociedade saudável.

Neste ano a vida aparece no tema como um dos maiores dons divinos. Para sua preservação e dignidade é urgente que cada pessoa a assuma como compromisso de todo dia. Não basta viver, mas viver bem, e numa dimensão de cordialidade comunitária. O individualismo gritante dos últimos tempos tem tirado a possibilidade da pessoa ser feliz, pois deixa de disponibilizar suas virtudes.

O lema proposto neste ano é muito interessante, porque mostra a prática que deve ser vivenciada por todos nós. O bom samaritano é quem encontra uma pessoa caída e machucada no caminho (Lc 10,33-34). Ele teve a atitude de chegar perto, de olhar (ver) para quem estava ali, sentiu compaixão por ele, curou suas feridas e o acompanhou no processo de cura no hospital.

Na verdade, não existe propriamente um próximo. É a gente que precisa ir ao encontro do outro, principalmente de quem está numa situação de fragilidade. Daí que vem o nome de Campanha da Fraternidade, do cuidado que cada pessoa precisa ter em relação à outra, de sentir compaixão superando todo tipo de discriminação. O importante é ter a capacidade de fazer o bem.

Presenciamos uma cultura que está perdendo a capacidade de contemplar e valorizar a vida humana como dom e de perceber a beleza divina presente nela. O exemplo da Santa Irmã Dulce dos Pobres, no cuidado que ela teve para com a vida das pessoas menos favorecidas, é motivador de reações mais humanas num estilo bem samaritano. Para ela a vida humana sempre esteve acima de tudo.

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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