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Papa Francisco, um homem de fé 

Dom João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo de Montes Claros 

Francisco é nosso Papa. É sucessor de Pedro. É cristão. É homem de fé. Sua missão de nos confirmar na fé se expressa por palavras e por gestos. Seu modo de ver, contemplar e escutar a realidade está diretamente subordinado à fé. Na sua primeira encíclica, Lumen fidei, encontra-se a riqueza de sua compreensão da fé. Diz ele: “A fé não só olha para Jesus, mas olha também a partir da perspectiva de Jesus e com os seus olhos: é uma participação no seu modo de ver” (LF 18). É esse o modo de ver de Francisco: com os olhos da fé. 

Evidencia-se que o olhar contemplativo e profético de Francisco sobre a realidade tem um ponto de partida comum para nós, que nos compreendemos como discípulos missionários de Jesus Cristo: a fé em nosso Senhor. É Ele quem guia nosso olhar e atrai nosso coração para ler a história com os critérios do seu Reino. Veja como Francisco compreendeu isso: “a fé torna-se operativa no cristão a partir do dom recebido, a partir do Amor que o atrai para Cristo (cf. Gl 5,6) e torna participante do caminho da Igreja, peregrina na história rumo à perfeição. Para quem foi assim transformado, abre-se um novo modo de ver, a fé torna-se luz para os seus olhos” (LF 22). 

E se o principal mandamento do Reino é o amor, a profunda relação entre fé e amor desdobra-se no amor que age. É ver e contemplar a realidade com os olhos de Jesus e com a disposição de amar como Jesus: “A fé conhece na medida em que está ligada ao amor, já que o próprio amor traz uma luz. A compreensão da fé é aquela que nasce quando recebemos o grande amor de Deus, que nos transforma interiormente e nos dá olhos novos para ver a realidade” (LF 26).  

Olhos abertos para ver a realidade, olhos guiados pelo amor de Jesus e pelo amor ao seu povo: “A verdade que buscamos, a verdade que dá significado aos nossos passos, ilumina-nos quando somos tocados pelo amor. Quem ama, compreende que o amor é experiência da verdade, compreende que é precisamente ele que abre os nossos olhos para verem a realidade inteira, de maneira nova, em união com a pessoa amada” (LF 27). 

Papa Francisco entende que o amor é capaz de fazer alguém ver a realidade com os olhos do outro. “…a experiência do amor diz-nos que é possível termos uma visão comum precisamente no amor: neste, aprendemos a ver a realidade com os olhos do outro e isto, longe de nos empobrecer, enriquece o nosso olhar. O amor verdadeiro, à medida do amor divino, exige a verdade e, no olhar comum da verdade que é Jesus Cristo, torna-se firme e profundo. Esta é também a alegria da fé: a unidade de visão num só corpo e num só espírito” (LF 47). Ver como os pobres veem. Ver a partir das periferias do mundo. Ver a partir dos descartados.  

Quando Papa Francisco propõe dois sínodos sobre a família, um sobre a juventude e outro, especial, para a Pan-amazônia, pode-se dizer que as realidades das famílias, da juventude e da Amazônia precisam ser vistas à luz da fé. Observe-se que estes temas sinodais são menos internos da vida eclesial e mais voltados para a realidade vital das pessoas. A fé cristã não nega a realidade, mas busca enxergá-la de modo mais profundo e com ela se compromete no serviço do Reino. É tempo de aprender com Francisco. 

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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