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São Francisco de Assis e a fraternidade universal

Dom Aloísio Alberto Dilli
Bispo de Santa Cruz do Sul

Caros diocesanos. O Santo de Assis viveu entre os anos de 1181/1182 e 1226, marcando profundamente seu tempo, assim como a história da Igreja. Se até então os mosteiros eram as grandes referências fixas, onde se buscava não só a cultura e a educação, mas também o vigor da evangelização, a partir de São Francisco e São Domingos o anúncio do evangelho torna-se novamente itinerante, ou seja, começa a ser realizado “em saída”, como diria o Papa Francisco, por pregadores que se deslocam e se dirigem ao encontro das pessoas, aos diversos locais onde se encontram. Mas hoje desejamos olhar para o Santo de Assis como o homem da fraternidade universal. São Francisco viveu de forma simples e harmoniosa com Deus, com os outros, com a natureza e consigo mesmo. Segundo o Papa, o Santo de Assis, ao contemplar o mundo criado, ia além da mera avaliação intelectual ou cálculo econômico. A partir da origem comum das criaturas, considerava cada uma como irmã ou irmão. Por isso, seu espírito de fraternidade universal torna-se, ainda hoje, modelo de uma ecologia integral (cf. LS 10). São Francisco reconhece a natureza como livro em que Deus transmite sua beleza e bondade, tornando-se um mistério gozoso que contemplamos na alegria e no louvor (cf. LS 12). Com este espírito, compôs o Cântico das Criaturas, página da literatura universal:

Altíssimo, omnipotente, bom Senhor, teus são o louvor, a glória e a honra e toda bênção. Somente a ti, ó Altíssimo, eles convêm, e homem algum é digno de mencionar-te.

Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas, especialmente o senhor irmão sol, o qual é dia, e por ele nos iluminas. E ele é belo e radiante, com grande esplendor,

de ti, Altíssimo, traz o significado.

Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã lua e pelas estrelas, no céu as formastes claras e preciosas e belas.

Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão vento, e pelo ar e pelas nuvens e pelo sereno e por todo o tempo, pelo qual às tuas criaturas dás sustento.

Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água, que é muito útil e humilde e preciosa e casta.

Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão fogo, pelo qual iluminas a noite, e ele é belo e agradável e robusto e forte.

Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã nossa, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz diversos frutos, com coloridas flores e ervas.

Louvado sejas, meu Senhor, por aqueles que perdoam pelo teu amor, e suportam enfermidade e tribulação. Bem-aventurados aqueles que as suportam em paz

Porque por ti, Altíssimo, serão coroados.

Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã nossa, a morte corporal, da qual nenhum homem vivente pode escapar. Ai daqueles que morrem em pecado mortal: bem-aventurados os que ela encontrar na tua santíssima vontade, porque a morte segunda não lhes fará mal.

Louvai e bendizei ao meu Senhor, e rendei-lhe graças e servi-o com grande humildade”.

São Francisco de Assis nos ajude a viver seu espírito de fraternidade universal, em tempos de tantos descasos ecológicos, conflitos e polarizações egoístas. Com ele rezemos:

Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor.

Onde houver ofensa, que eu leve o perdão. Onde houver discórdia, que eu leve a união. Onde houver dúvida, que eu leve a fé. Onde houver erro, que eu leve a verdade.

Onde houver desespero, que eu leve a esperança. Onde houver tristeza, que eu leve a alegria. Onde houver trevas, que eu leve a luz… Amém.

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Fonte: Noticias da CNBB

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