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Sem ecologia integral, cidades caminharão para o caos, afirma dom Walmor Oliveira

Após as chuvas devastarem cidades de Minas Gerais e Espírito Santo, apresenta-se a autoridades e sociedade em geral a tarefa de reconstrução do que foi perdido e a reflexão a respeito das causas e das formas de prevenção no futuro. Neste momento, “sem a compreensão dos recursos e das dinâmicas no horizonte da ecologia integral, as cidades e regiões metropolitanas caminharão resvalando na direção do caos, arriscando-se ao esgotamento das possibilidades de solução”. A avaliação é do arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, no artigo desta sexta-feira, 7 de fevereiro.

As devastadoras chuvas desse janeiro de 2020, causando mortes e perdas materiais, enlutando precocemente as famílias, comprometendo infraestruturas, são consequências de uma natureza enfurecida pelo tratamento impiedoso recebido daqueles que deveriam ser os guardiões da Casa Comum”, afirmou dom Walmor no artigo intitulado “Audácia de recomeçar”.

Para o presidente da CNBB, é indispensável “ser audacioso nas concepções, nos gestos, e ter competência para discernir a respeito de prioridades e investimentos”.

Este momento comporta um desafio de tamanho “imensurável” e é oportunidade única de “se inaugurar um novo tempo”. Tal desafio, segundo dom Walmor, “requer magnanimidade, almas distanciadas dos moldes apequenados que se evidenciam nos gestos, nos pronunciamentos e nas soluções propostas ante as dificuldades e atrasos que se arrastam nas muitas realidades da sociedade brasileira, em que os pobres pagam a maior parte da conta”

Dom Walmor indica algumas ações que podem nortear a reflexão em vista da reconstrução das estruturas a partir “da compreensão dos recursos e das dinâmicas no horizonte da ecologia integral”. Para o arcebispo de Belo Horizonte, é preciso “vergonha de impor condições inumanas e perigosas aos mais pobres”; “abertura à iluminação das interpelações da ecologia integral”; “uma nova inteligência na gestão” que articule a compreensão entre ecologia e infraestrutura”; e responsabilidade dos governos em promover fóruns permanentes com arquitetos, urbanistas e economistas “para uma nova ordem justa e solidária, no horizonte da Economia de Francisco”.

Mineração e recursos hídricos

A reconstrução – ou recomeço, como proposto por dom Walmor no título de seu artigo – também passa por intervenções em segmentos produtivos, como extração do minério, e na relação dos recursos hídricos no contexto do saneamento básico, como o caso da utilização de rios, riachos e córregos como esgoto.

“A extração do minério não pode continuar utilizando processos ultrapassados, nem mesmo para justificar a geração de empregos e renda, pois beneficiam temporariamente parcela ínfima da população, enquanto os prejuízos decorrentes dessa atividade atingem o conjunto da sociedade”, escreveu dom Walmor.

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Fonte: Noticias da CNBB

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