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Por um descanso prazeroso e criativo

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

 

Estamos em tempo de férias, embora alguns já voltando ao trabalho e à atividade corriqueira. Conseguimos descansar, não simplesmente esquecer os problemas ou desligar-nos do trabalho, mas adquirimos intuições, despertamos para a vida interior e nos conectamos com Deus através de nossa verdadeira identidade?

Os antigos contrapunham o ócio ao negócio, considerando o primeiro a atividade humana mais plena por ser reflexiva e levar ao centramento da pessoa. Domenico de Massi insiste que o ócio tem uma atividade civilizatória fundamental, pois é lúdico e criativo e será o setor cultural que mais crescerá no futuro.

De veras, é, no descanso simples e despretensioso, que voltamos a ser crianças, a desvencilhar-nos das armadilhas das funções e do status que muitas vezes impedem o autoconhecimento. Huizinga, grande humanista e historiador cultural, ensinava que a dimensão lúdica que nos leva a brincar e inventar nos previne e liberta das alienações e do stress compulsivo da nossa sociedade atual.

Estar de férias é folgar e recuperar a liberdade de fazer ou não fazer, é dispor de tempo para ser, para investir mais em si mesmo e nos relacionamentos significativos que temos, visando a uma comunicação profunda, existencial, e amorosa com aquelas pessoas que fazem parte de nossa vida.

Quando Deus descansa, depois de ter concluído a criação, nos dá uma relevante lição sobre a pessoa humana, chamada também ao descanso que nos liga com o mistério e a alegria do viver, renovando e restaurando não só forças físicas, mas fazendo-nos crescer na visão contemplativa de quem somos e para que estamos no mundo. Para o cristão, parar e reencontrar-se não é passatempo ou mera diversão, mas uma necessidade premente, espiritual e corporal, que nos dignifica e eleva mergulhando mais em nós mesmos e abrindo-nos para os outros.

O descanso nos torna divinos e humanos, nos devolve a paixão pela vida, nos descondiciona e nos permite recuperar a leveza, ternura e a gentileza com que devemos assumir a nossa missão no mundo. Deus seja louvado!

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Fonte: Noticias da CNBB

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