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Vida de encontros

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba

Tendo passados os quarenta dias após as festividades de Natal, para cumprir as prescrições exigidas pela Lei, José e Maria, conforme o costume levaram o menino Jesus e o apresentaram no Templo. É a chamada festa da Apresentação, celebrada também como “festa do Encontro”. Ali no Templo, Jesus é reconhecido na sua identidade divina pelo velho Simeão e pela idosa Ana.

No templo de Jerusalém, aos doze anos de vida, Jesus faz um encontro com os doutores da lei. Todos eles ficaram admirados com o nível de sua sabedoria e entenderam que Ele não era um adolescente qualquer. Suas perguntas e respostas eram intrigantes e provocadoras de madura reflexão. Com isso Jesus revela seu papel missionário, de dar publicidade para a Palavra do Pai.

Na convivência diuturna, as pessoas estão naturalmente realizando encontros, fraternos ou não, que podem revelar o tipo de conduta ética que cada uma tem, se é adequada ou não. Existem encontros que ajudam a comunidade na construção do bem coletivo. Por outro lado, há encontros que maquinam maldades e destroem a paz entre as pessoas, porque ocasionam práticas de injustiça.

O cenário de encontros e reuniões que são realizados na cultura moderna é alarmante. A dignidade da pessoa humana está sendo substituída por valores que degradam e acabam matando quem mais deveria ser defendido. O nível de injustiça praticada por certas pessoas e empresas clama aos céus. O dinheiro e as riquezas materiais levam muitos agentes à perda da própria dignidade.

Estamos assistindo pela mídia a descoberta de tratativas de irresponsabilidade no caso dos rejeitos de Mariana e Brumadinho. Como se vê, foram muitos encontros realizados para esconder da população a realidade referente à insegurança em diversas barragens das mineradoras, principalmente em Minas Gerais. É lamentável que a pessoa humana seja colocada em planos aquém do mercado.

A Palavra de Deus provoca encontros de reflexão para um verdadeiro confronto da fé com a vida. É palavra que abomina a injustiça e provoca gestos de fraternidade, porque a vida humana é um dom de Deus. Ela ilumina a mente das pessoas para realizar encontros que privilegiam a justiça e a solidariedade para com os mais necessitados. O dinheiro não pode ser alvo destruidor.

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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