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O Reino de Deus: os batizados devem ser luz no mundo!

Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG)

A liturgia do terceiro domingo do Tempo Comum apresenta-nos o projeto de salvação e de vida plena que Deus tem para oferecer ao mundo e aos homens: o projeto do “Reino”. A luz de Cristo Ressuscitado, pela sua Palavra de Deus e pela Eucaristia, afugenta todas as trevas e abre os nossos olhos para compreendermos qual estrada devemos seguir para encontrarmos o sentido de nossas vidas. Hoje, em conformidade com o pedido do Papa Francisco, celebramos o dia da Palavra de Deus. O Senhor continua chamando a cada um de nós a segui-lo, conhece-lo e pelo anúncio da Palavra de Deus, anunciar o Evangelho do Reino.

“O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz”(cf. Is 9,1; Mt 4,16). Que luz é esta que o povo viu? Trata-se da luz que é o próprio Jesus. Quando Jesus se encarna, cumprindo as profecias todas, ele está se proclamando como verdadeira luz que veio ao mundo(cf. Jo 1,9). É por isto que ele inicia seu ministério público afirmando: “Convertei-vos porque o Reino dos céus está próximo!”(cf. Mt 4,17). Jesus é o Reino dos céus no meio de nós(cf. Lc 17,21). Converter-se é acolher a vida nova que nos introduz neste Reino. Na primeira leitura(cf. Is 8,23b-9,3), o profeta/poeta Isaías anuncia uma luz que Deus irá fazer brilhar por cima das montanhas da Galileia e que porá fim às trevas que submergem todos aqueles que estão prisioneiros da morte, da injustiça, do sofrimento, do desespero.

O Evangelho(cf. Mt 4,12-23) descreve a realização da promessa profética: Jesus é a luz que começa a brilhar na Galileia e propõe aos homens de toda a terra a Boa Nova da chegada do “Reino”. Ao apelo de Jesus, respondem os discípulos: eles serão os primeiros destinatários da proposta e as testemunhas encarregadas de levar o “Reino” a toda a terra. Ao anúncio do que teve lugar com o Jesus Cristo morto, ressuscitado e vivo na glória do Pai, segue-lhe o premente convite à “conversão”, a que está ligada o perdão dos pecados. Tudo isto aparece claramente no discurso que Pedro pronuncia no pórtico de Salomão: “Deus deu cumprimento deste modo ao que tinha anunciado por boca de todos os profetas: que seu Cristo padeceria. Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que vossos pecados sejam apagados” (cf. At 3,18-19). Este perdão dos pecados, no Antigo Testamento, foi prometido por Deus no contexto da “nova aliança”, que Ele estabelecerá com seu povo (cf. Jr 31,31-34). Deus escreverá a lei no coração. Nesta perspectiva, a conversão é um requisito da aliança definitiva com Deus e ao mesmo tempo uma atitude permanente daquele que,

acolhendo as palavras do anúncio evangélico, passa a formar parte do reino de Deus em seu dinamismo histórico e escatológico.

Os destinatário da mensagem de Jesus sou eu, és tu quando nos abrimos à Palavra, para escutá-la com sinceridade, alcançamos a paz, a salvação, a vida. Ele continua a revelar-se para nossa divindade, quando fazemos o esforço necessário para nossa conversão.

A segunda leitura(cf. 1Cor 1,10-13.17) apresenta as vicissitudes de uma comunidade de discípulos, que esqueceram Jesus e a sua proposta. Paulo, o apóstolo, exorta-os veementemente a redescobrirem os fundamentos da sua fé e dos compromissos assumidos no batismo. Sem dúvida, uma das formas mais eloquentes de darmos testemunho da vinda do Reino é sendo “bem unidos e concordes no pensar e no falar”(cf. 1Cor 1,10). As divisões aludidas por São Paulo se fazem muito presentes no mundo atual e constituem um escândalo – sobretudo – quando se fazem presentes nas nossas comunidades. “Será que Cristo está dividido?”(cf. 1Cor 1,13). Onde Cristo é a grande luz, cresce a alegria, aumenta a felicidade, pois o nosso jugo foi abatido(cf. Is 8,2-3). Convertamo-nos de nossas divisões e sejamos assim: luz na luz.

O Reino de Deus: os batizados devem ser luz no mundo! Anunciemos a Palavra de Deus, que é luz para os nossos pés e lâmpada para os nossos caminhos!

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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