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Fundo Nacional de Solidariedade apoia projeto voltado a portadores de HIV/Aids em João Pessoa (PB)

O Brasil registrou entre 2007 e 2019 mais de 300 mil casos de infecção pelo vírus HIV. A região Nordeste corresponde a 18,3% deste total, figurando como a terceira região do país com mais casos. É nesta realidade que a Ação Social Arquidiocesana (ASA) da Paraíba é presença de cuidado e de promoção do entendimento sobre políticas públicas para a população que vive ou convive com HIV/Aids. No último ano, o organismo foi dos mais de 230 contemplados com recursos do Fundo Nacional de Solidariedade (FNS), com o projeto Vida em Movimento.

Uma das palestras sobre políticas públicas

A iniciativa é realizada na Casa de Acolhimento João Paulo II, em João Pessoa (PB), onde é oferecido acompanhamento, atendimento e alojamento a pessoas que vivem com HIV/Aids por meio da ASA. No contexto da Campanha da Fraternidade de 2019, cujo tema foi “Fraternidade e Políticas Públicas”, foi apresentado ao Conselho Gestor do FNS, no eixo mobilização para conquista e efetivação de direitos, o projeto Vida em Movimento, que tem como público alvo a população de baixa renda ou em situação de risco e exclusão social, neste caso, os portadores de HIV/Aids.

Vida em Movimento

O projeto considera a situação de vulnerabilidade e exclusão a que as pessoas que convivem com HIV estão submetidas e oferece ferramentas para melhor conhecimento dos direitos e das políticas públicas, como um folder que foi distribuído em reuniões e para a população local, além de estrutura para fortalecimento da autoestima por meio de terapias integrativas, fitoterapia e autoconhecimento.

Foram realizadas, entre os meses de julho e outubro, quatro reuniões com grupos de homens e mulheres para discussão de questões do direito e da justiça, conhecimento das políticas públicas voltadas para quem vive com HIV/Aids e incentivo à participação nos espaços de controle social. A partir desses encontros, foi elaborado o folder distribuído na capital paraibana.

Folder do projeto Vida em Movimento

“Esse folder, nesse ano de 2020, a gente quer que chegue nas mãos além das pessoas que a gente atende, pois muitas pessoas que convivem com HIV/Aids não têm o conhecimento das políticas públicas garantidas para elas, as leis que garantem seus direitos”, conta Maria Goretti Felismino Duarte Rolim, coordenadora do projeto.

O padre Egídio de Carvalho Neto, responsável pela Ação Social da arquidiocese da Paraíba, recorda que nos encontros focados no acompanhamento das políticas públicas puderam contar com representantes de órgãos públicos e especialistas que orientaram os assistidos. “Trouxemos pessoas que puderam dizer sobre os direitos que as pessoas têm”, recorda ao citar a presença de orientadores na área de previdência social e procuradores do Ministério Público.

Terapias naturais

Nas oficinas de fitoterapia, a partir da cartilha “Eu & a Natureza”, elaborada com os recursos da Campanha da Fraternidade de 2018, os participantes fabricaram vários produtos naturais que foram comercializados posteriormente. Os recursos também tornaram possível a realização de encontros com análise bioenergética e atendimentos com terapias naturais complementares, como aromaterapia e psicoaromaterapia, terapia floral, cromoterapia e massagem terapêutica (conhecida como massagem Quick, por conta da cadeira onde é realizada).





“A análise bioenergética proporciona o autoconhecimento do corpo e da mente, trabalha a questão das emoções, energiza e dá mais vitalidade ao corpo por meio de movimentos livres e espontâneos”, explica Maria Goretti.

Por nós trabalharmos com um público muito vulnerável, que são as pessoas vivendo e convivendo com HIV, são pessoas que trazem uma carga social muito pesada, muito dolorosa, porque, infelizmente, são muito discriminadas. E a análise bioenergética ajuda muito e tem favorecido muito. As pessoas que têm aderido dentro do projeto, temos escutado depoimentos de como tem ajudado a estarem com mais energia, mais vitalidade, temos obtido resultados significantes”, avalia a coordenadora.

Ecos da Solidariedade

Para o padre Egídio, o projeto foi de “fundamental importância para as pessoas” atendidas na casa de acolhimento São João Paulo II, em particular no momento em que “há uma paralisação muito grande em relação à conscientização das pessoas que estão tendo agora o diagnóstico de HIV/Aids e, por outro lado, um certo esfriamento de políticas públicas para os que já são portadores”.

Padre Egídio explica ainda que as atividades do projeto auxiliaram na diminuição do peso das questões emocionais que os portadores de HIV/Aids carregam consigo. Outro destaque para ele foram as oficinas de fitoterapia: “O que nos chama atenção é que com o projeto de 2018 fizemos uma cartilha sobre receitas de medicamentos fitoterápicos e esse material pudemos usar em 2019 com eles. Foram produzidas pomadas, xarope, calmante”, conta o padre.

Francisca é uma das mulheres atendidas pelo projeto teve a oportunidade de aprimorar os conhecimentos nas terapias complementares e hoje atua como instrutora da técnica de massagem Quick, além de fazer parte do grupo de geração de renda (veja imagem ao lado). Ouça o relato:


Durante a execução do projeto, a sede recebeu a visita do bispo auxiliar do Rio de Janeiro e secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella Amado, e de assessores da Conferência.


 

Confira a primeira matéria da série sobre os projetos apoiados pelos recursos do FNS:

Projeto apoiado por fundo da CNBB garante acessibilidade para pessoas com deficiência

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Fonte: Noticias da CNBB

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