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Celebrar a Festa do Batismo  

Dom José Gislon
Bispo de Caxias do Sul 

 

Neste final de semana celebramos a festa do Batismo do Senhor Jesus. Mas, nesta festa, nós não devemos celebrar e recordar somente o batismo do Senhor. Penso que é um momento especial para recordarmos também o nosso batismo, e o significado dele na nossa vida espiritual, na nossa vida de cristãos, de homens e mulheres que acolheram Jesus em suas vidas 

O texto do batismo de Jesus, narrado por Mateus e também pelos outros evangelistas, nos traz, além do batismo de Jesus, a pregação e o ministério de João Batista, orientado sempre em preparar a acolhida de Jesus, o Messias. Nos fala também da oração de Jesus que acompanha em cada momento da sua missão. Mas, principalmente, da grande manifestação trinitária: a abertura do Céu, a manifestação do Espírito Santo e a voz do Pai. “Este é meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado” (Mt 3,17). 

Deus não escolhe uma pessoa ou um povo para torná-lo privilegiado, mas para confiar-lhe uma missão em favor dos irmãos. No livro do profeta Isaías (Is 42,1-4.6-7), nos é apresentado um misterioso “Servo do Senhor”, que movido pelo Espírito de Deus – e não por critérios puramente humanos – se comporta de forma diversa do habitual: não se impõe com a força, não ameaça quem se opõe. Não grita, não levanta a voz como fazem os potentes deste mundo. Não é intolerante e intransigente com os fracos. Não condena ninguém. Dá a cada um a oportunidade de conversão de experimentar a misericórdia do Pai. Neste servo do Senhor não podemos deixar de reconhecer a pessoa de Jesus. 

Neste mundo, os homens são sempre tentados, a projetar em Deus as suas aspirações, os seus juízos e também as suas discriminações. Mas Deus não faz preferências entre os seus filhos e filhas, ama a todos sem distinção, e quer a salvação de todos.  

Até mesmo João Batista, com todo o seu caminho de ascese espiritual, de entrega à missão, encontra dificuldades em aceitar o Messias de Deus: fica surpreso quando vê o santo, o justo, aproximar-se dos pecadores, que segundo a lógica dos homens deveriam ser relegados da misericórdia de Deus. A lógica da nova justiça de Deus confunde até mesmo João Batista, o precursor de Jesus. É a justiça daquele que quer a salvação de todos os homens. Por isso, Jesus não tem vergonha de chamar de irmãos os pecadores. 

Esta atitude de Jesus deveria ser um convite a todos nós e às nossas comunidades, para revermos nosso comportamento em relação aos irmãos e irmãs, que estão afastados ou até são marginalizados pelos erros que cometeram. Quando a vida humana é envolvida pelo amor, tudo aquilo que faz parte dela e da pessoa ganha novo sentido. Quando o Deus da vida olha cada um de nós, ele repete aquilo que disse a Jesus no dia do Batismo, “Este é o meu Filho amado”. “Não existe ninguém como você”.  

Todos nós temos necessidade de nos sentirmos aceitos e acolhidos pelos outros. Também Jesus teve necessidade desta aprovação, como todo ser humano. Nós não somos diferentes, também temos necessidade de sermos amados, estimados, aprovados, compreendidos, encorajados, consolados e iluminados pelo Espírito Santo, para vivermos com autenticidade e em espírito de fé o nosso batismo. Não como algo do passado, que nós nem lembramos a data. Mas como algo que vivemos e carregamos no presente e para o futuro, como dom de Deus, que nos fez renascer para uma vida nova. Vida nova em Cristo Jesus, gerada pelo amor de Deus.  

 

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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