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Igreja de São Judas Tadeu

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

No sábado dia 28 de dezembro celebrei a missa de inauguração da Capela São Judas Tadeu. Entre outras ideias que pude transmitir no dia deixo algumas reflexões que nos ajudam a ver o dinamismo de uma igreja em saída e a luta das comunidades que muitas vezes aparecem nos meios de comunicação apenas como locais violentos demonstrando um povo de fé de coragem que ali viver e caminha. Foi uma alegria poder inaugurar dentro de um ano duas capelas novas na Paróquia Nossa Senhora de Nazaré e Santos Mártires Ugandenses, na região do Acari, antiga Vila de N. Sra. de Nazaré. Inauguramos em setembro, a Capela Santa Teresa de Calcutá e hoje inauguramos aqui, São Judas Tadeu.

São oportunidades de presença na Igreja em saída que além das comunidades, além dos círculos bíblicos, além dos trabalhos dos cristãos leigos que estão presentes em todos os cantos, temos também locais de culto e catequese, que vão tornar essa presença da Igreja cada vez mais capilar em toda nossa Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. Só nesse mês, é a segunda capela que inauguramos (a outra foi em outra paróquia na região do Guandu). São passos importantes como presença evangelizadora. Na celebração estavam presentes também alguns irmãos da Igreja Matriz da Paróquia além do pessoal da região, que já caminhavam há um certo tempo em um antigo barracão que tinha no local e que agora vê com muita alegria, com ajuda também de benfeitores seu local de culto, agora abençoado.

Após a bênção da Capela, ainda dentro da missa, abençoamos também o altar para que se possa celebrar o centro de nossa vida cristã, a Eucaristia e assim buscar o Senhor crescendo na fé e sendo uma Igreja em saída que evangeliza. Somos chamados a ser presença numa missão permanente, pois, uma vez batizados sempre missionários. A água benta é aspergida sobre as paredes e o povo para visibilizar bem claro que o templo é a casa da Igreja. Nesse local nós nos alimentamos da Palavra de Deus, da Eucaristia, como bem simboliza os sinais litúrgicos: o Batismo (pia batismal), a Eucaristia (altar) e a Palavra (ambão). Uma vez alimentados

nós somos chamados a estar sempre anunciando Jesus Cristo Nosso Senhor.

E a nova Capela de São Judas foi inaugurada em um dia muito especial: recebemos na antiga Vila de Nazaré, Paróquia N. Sra. de Nazare, a imagem que tem tudo a ver com a Casa de Nazaré (Santa Casa em Loreto). E ao mesmo tempo nesse dia em que, durante a oitava de natal um dia que nos fala do testemunho que nós somos chamados a dar por Jesus Cristo: os Santos inocentes.

Sabemos que de um lado Jesus é colocado como o novo Moisés, no Evangelho de Mateus. Por isso mesmo, assim como no Egito toda a questão de não deixar nascer os primogênitos, as crianças eram logo mortas, e Moisés é salvo para ser o libertador do seu povo. Cristo é justamente aquele que foi salvo do ódio de Herodes, para salvar o seu povo. E nós sabemos, como fala os comentários dos Santos Padres, que os Santos Inocentes (cf. Mt 2,13-18) mesmo sem ainda balbuciar o nome de Cristo, já são suas testemunhas. Isso nos faz pensar também do outro lado, enquanto os inocentes são sacrificados, com toda uma mentalidade que existe hoje contra a vida, de não deixar nascer, de matar as crianças, nós vemos aí quantas crianças inocentes que morrem a cada dia (tanto pelo aborto como pela fome, guerra e pobreza). E quantos mártires que ainda nestes tempos sofrem por causa fé: em pleno dia de Natal, mais um grupo de cristãos foi martirizados, com ódio da fé. Mas também entre nós: quanto ódio da fé dos meios digitais e meios de comunicação, que fazem filmes, fazem coisas contrárias à nossa fé, a Cristo, a Maria: também isso são maneiras de perseguição. Parece que nosso país deixou de ser um “pais laico” para professar o ateísmo que uma forma de religião. Isso demonstram as decisões acerca dos ataques que os cristãos recebem em seus sinais de fé que ofendem aqueles que creem em Jesus Cristo. Por muito menos que se falasse contra a honra de alguma pessoa já teriam tomado providências.

Mas voltando para a celebração em Acari manifestei o desejo de que sempre possa cada vez mais crescer na fé, e ter uma consciência da beleza de seguir a Jesus cristo, se alimentar da Palavra e Eucaristia, e ser uma presença aqui ao redor (missão permanente). E ao mesmo tempo seja cada vez mais a experiência da fé uma Igreja em saída, para anunciar a Jesus Cristo, anunciar essa luz, como lembrou a 1ª Leitura daquele dia (cf. 1Jo

1,5-2,2), que fala de toda a questão da luz e da vida nova que deve se fazer presença pois veio ao nosso encontro, Jesus Cristo, o Emanuel, Deus próximo de nós.

Foi nesse contexto que nós inauguramos essa nova Igreja, essa Capela de São Judas Tadeu, na Paróquia Nossa Senhora de Nazaré e Santos Mártires Ugandenses, em Acari, pedindo a Deus que cumpra bem essa missão, que multiplique essa presença, multiplique a participação, a catequese e, principalmente, a vida missionária.

Ao final da missa de inauguração falei também um pouco da visita da imagem peregrina de N. Sra. de Loreto. Nós estamos recebendo na diocese, a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Loreto. Ela chegou no dia 26, um dia depois do Natal, e chegou no Aeroporto Internacional do Galeão e já visitou as três bases aéreas do Rio de Janeiro. A base do Galeão, de Campo dos Afonsos, e a Base Aérea de Santa Cruz – e veio para o Acari nesse sábado, já que é a antiga Vila de Nazaré, Paróquia Nossa Senhora de Nazaré e Santos Mártires Ugandenses. Então Nossa Senhora de Loreto, que é onde está a Santa Casa de Loreto, que foi aquela casa transportada de Nazaré para a região de Recanati na Itália depois de passar pela Dalmácia, salva da sanha dos destruidores dos sinais cristãos na terra santa na época.

Quem está acostumado a ir no Acari no Círio de Nazaré, e chega até a Matriz que fica próximo da da Avenida Brasil, não conhece todo o restante desse bairro de Acari, essa região toda, que tem milhares de habitantes: a Igreja vai se expandindo além das pequenas comunidades e círculos bíblicos, também com as capelas.

O Pároco, ao agradecer falou do “fim de mundo”. Preciso explicar para quem não conhece o local. Foi esse nome que deram a este sub bairro – porque do nome não sei dizer o porquê, nem porque chamam aqui de “fim do mundo”, mas na verdade não é fim do mundo, é um belo local e agora com uma bela capela. Podia ser muito bem a Vila de São Judas a partir de hoje.

Então essa é a nossa alegria de ver essa participação de todos animados e também tem a comunidade que serve. Temos essa presença de todos os cantos do bairro. E lembrando que ao entrar na igreja tem a Pia

Batismal, e é bem o tema desse ano, que depois da Festa da Unidade nós começamos a viver. Uma vez batizados, sempre missionários.

Então ao entrar nos deparamos com a pia batismal para lembrar a nossa vida de batizados, de cristãos, de testemunhar até o fim da vida, até mesmo com o martírio. E ao sair a mesma coisa, sair para sermos missionários, evangelizadores, essa missão permanente cada vez mais. Seja com essas presenças capilares da Igreja em todos os cantos, seja através de cada um de vocês que residem aqui no bairro para poder evangelizar cada vez mais.

Foi uma alegria poder inaugurar esse local, e essa presença da igreja: nós bendizemos a Deus por esse momento. Como disse nesta paróquia já é a segunda Capela neste ano; neste mês dentro dessa região é a segunda Capela. Somos Igreja que continua a sua missão evangelizadora também com presença física, de locais de culto e de catequese, como nós temos aqui hoje, nessa região do Acari, que o pessoal precisa conhecer ainda mais essa beleza da comunidade e do povo, que tem força de vontade e tem uma caminhada de santidade muito bonita e toda uma vitalidade que não é aquela que aparece na televisão e nos noticiários, mas um povo que vive a sua fé e testemunha Jesus Cristo através da própria vida.

Que essa benção seja de envio para todos nós ainda dentro da Oitava de Natal, para que a proximidade do Senhor nos faça ser próximos uns dos outros.

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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