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Aprender a viver com o Natal (Parte II)

Dom Adelar Baruffi
Bispo Diocesano de Cruz Alta

Com o olhar fixo no Filho de Deus que se fez Menino, por meio da Virgem Maria, caminhamos para o Natal. Vamos cultivando em nós os mais preciosos valores humanos e cristãos. De fato, o agir de Deus é gratuito. Absolutamente gratuito. “Deus, contudo, prova o seu amor para conosco, pelo fato de que Cristo morreu por nós, quando ainda éramos pecadores” (Rm 5,8). É próprio de Deus, do seu ser, querer comunicar o seu amor. Por isso, vem a nós. Desde sua Encarnação, no Natal, até seu Mistério Pascal, todas as palavras e ações de Jesus Cristo são uma manifestação de seu amor. Cada fragmento, cada texto do evangelho contém esta verdade. À medida que compreendemos esta única intenção de Deus, purificam-se em nós visões individualistas e interesseiras, quase que reivindicando direitos diante de Deus. “Nós amamos, porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4,19). Amar para o cristão, tem a marca da gratuidade, do silêncio, da humildade. É o amor de um cuidador de idosos e doentes, de uma mãe e um pai com seu filho no colo, de um gesto de caridade. O Natal continua onde existe o amor gratuito.

Só o amor é capaz de unificar e curar os corações humanos. O Filho de Deus veio para nos oferecer o seu amor, a Salvação. Em nós, cada oportunidade de acolhida e vivência do amor é lugar de reconciliação pessoal e fraterna. O perdão acolhido pelo sacramento da penitência e a reconciliação com os irmãos é condição indispensável para que a paz reine em cada um de nós. Tomemos a iniciativa de ir ao encontro e acolher quem nos ofendeu. Acolhamos o convite para recebermos a graça do perdão sacramental. Não basta o arrependimento, é preciso também uma boa confissão.

A caridade e a solidariedade estão presentes no Natal. Mas como em toda a vida de Jesus, também a morte, o pecado humano e a perseguição. Basta lembrar o casal à procura da casa para que Maria pudesse dar à luz seu primogênito: “não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2,7). Ou quando Herodes quer matar o menino recém-nascido (cf. Mt 2,16). Mas, positivamente, a solidariedade se revela nos presentes preciosos que o Menino recebeu dos magos do Oriente: ouro, incenso e mirra (cf. Mt 2,11). “Agora e em todos os tempos, ele vem ao nosso encontro, presente em cada pessoa humana, para que o acolhamos na fé e o testemunhemos na caridade, enquanto esperamos a feliz realização de seu reino” (Prefácio do Advento IA). Quantas belas iniciativas são realizadas com os pobres descartados de nossa sociedade, sobretudo com as crianças. Cada ação social, realizada em nome de Cristo, torna presente o sentido do Natal. A misericórdia, a solidariedade e a proximidade de Jesus Cristo com os pobres desperta projetos em toda a parte para ir ao encontro dos necessitados.

Enfim, o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo revigora nossa fé. Deus se comunica com a humanidade por meio de sinais. Na liberdade o acolhemos. Todos os sinais da sua vinda entre nós, se renovam e se fortalecem a cada ano. Contudo, nossa fé é sempre a mesma: Jesus Cristo. “O que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos tocaram acerca do Verbo da vida, é o que nós vos anunciamos, pois a vida manifestou-Se e nós vimo-la e dela damos testemunho: nós vos anunciamos a vida eterna que estava junto do Pai e nos foi manifestada” (1Jo 1,1-2). Crer e anunciar, batizados e enviados, este é o dinamismo da fé, que no Natal tem sua manifestação: “a vida manifestou-se”.

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Fonte: Noticias da CNBB

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