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Advento Jubilar

Dom Aloísio A. Dilli
Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)

Caros diocesanos. Ao celebrarmos os 60 anos de nossa Diocese de Santa Cruz do Sul, também o tempo do Advento deve ter caráter jubilar, pois o jubileu se reveste de muitas e ricas características, com destaque especial para a ação de graças e a reconciliação, como já frisamos em várias oportunidades. Contudo, um jubileu também reaviva a dimensão da esperança, do olhar para o futuro, para o amanhã, em que a história celebrada deve continuar, pois agora chegou a nossa vez de contribuir na sua construção, assim como a vez dos que nos seguirão. O Jubileu, como afirma o Papa João Paulo II, nos faz olhar com gratidão para o passado, certamente rico de fé e de amor cristão; abraçar com paixão o presente, no sentido de nós assumirmos, como discípulos missionários responsáveis, a construção do Reino da vida e do amor, em nosso tempo; e olhar com esperança para o futuro desafiador que se descortina diante de nós (cf. NMI 1).

O Advento sempre traz em evidência a dimensão da esperança em nossa vida. A Igreja o considera como “tempo de feliz e piedosa expectativa”. Portanto, este tempo litúrgico objetiva preparar os cristãos para a vinda do Salvador, para celebrar sua presença entre nós, como diz o evangelista São João: “A Palavra se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1, 14) e tornar-se nossa esperança salvadora. Vivemos um tempo em que muito precisamos de sinais de esperança e não de promessas vazias. O verdadeiro Natal consiste em acolher Jesus como nosso salvador. Com Ele poderemos dar novo sentido à nossa vida. Ele vem apagar a escuridão do nosso pecado e acender nova luz para devolver-nos o horizonte da esperança e a alegria de viver e conviver. Nosso Deus chama-se Emanuel = Deus conosco (Is 7, 14) e esta sua presença se perpetua através de todos os tempos da história humana, sempre reativando nossa esperança.

Se Deus é tão bom para conosco, revelando sua infinita misericórdia em todos os tempos, nós também queremos fazer a nossa parte. Por isso é preciso preparar os ambientes de nossa vida, de nossas famílias, comunidades, paróquias e diocese jubilar através da atitude de reconciliação, a qual somente é possível onde existem humildade e disposição de misericórdia e perdão, tanto no acolher quanto no conceder. Sabemos que o perdoar é divino, exemplo ensinado por Jesus Cristo na cruz, tornando-se gesto de amor extremo para salvar os irmãos e as irmãs. Nós somos seus discípulos missionários e seremos verdadeiras testemunhas se tomarmos o mesmo caminho, ainda que isto custe renúncias a nós mesmos, a nossos gostos pessoais, ao nosso orgulho ferido. Para termos o ganho de nosso irmão é necessário perder algo ou muito de nós. Por isso é tão difícil perdoar, pois nossa tendência humana quer ganhar até na hora de perdoar, quando se deve chegar ao âmago da gratuidade e do amor.

Como cristãos, aprendemos que na encarnação de Jesus Cristo Deus inicia um gesto inefável de reconciliação com a humanidade, que vai culminar mais tarde na cruz, ao dar a vida por amor. Com o advento preparamos este mistério do Natal do Senhor. Não queremos fazê-lo sozinhos, mas em família, na comunidade, na paróquia, na diocese jubilar e em comunhão com toda Igreja.

Esperamos que o Natal, festa do nascimento de Deus entre nós, seja de fato feliz para todos. Torne-se a festa da família, a festa da paz e do amor. A festa da esperança de um novo tempo em nossa vida, em nossa diocese. 

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Fonte: Noticias da CNBB

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