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Símbolos do Natal

Dom Rodolfo Luís Weber
Arcebispo de Passo Fundo

A origem da palavra “símbolo” nos ajuda a penetrar no seu sentido mais profundo. São duas palavras syn=mesmo, igual, idêntico + ballo=ação, movimento. Trata-se, então, da realidade (pessoa, objeto, ação, rito …) que une, liga, identifica. Portanto, o símbolo não é uma coisa ou objeto pronto e acabado mas supõe sempre uma relação a ser criada, uma ponte a ser construída. Ele é composto por dois elementos: visível e invisível, significante e significado, mas sempre relacionados, entrelaçados, completando-se mutuamente.

Devido a grandeza do Natal foram surgindo na história, através das liturgias cristãs ou através de tradições espontâneas, vários símbolos que preparam o ambiente. Estes ressaltam, a seu modo, algum aspecto do mistério natalino fazendo com que o fato do histórico do Natal esteja ligado ao tempo presente. Eles ajudam a estabelecer pontes e comunicar o mistério do Natal. Saint Exupéry, no Pequeno Príncipe, escreveu que “o essencial é invisível aos olhos” e o símbolo sempre leva ao essencial.

A Coroa do Advento tem como elementos principais o verde e a luz. Trata-se de uma coroa, em geral feita de ramos verdes, enfeitada com quatro velas, envolta de uma fita vermelha. As velas são progressivamente acesas nos quatro domingos do tempo litúrgico do Advento. Em muitos ambientes é colocada nas portas e com isto não é possível colocar as velas. Universalmente a coroa simboliza o triunfo e a recompensa pela vitória conquistada. O círculo quer simbolizar o tempo, desde a criação do mundo até o fim dos tempos. As velas, isto é, a luz do mundo vai iluminando sucessivamente esse tempo da história. O tempo da criação, a 1ª vela; a ação libertadora de Deus na história do povo de Deus no Antigo Testamento, na 2ª vela; o aparecimento do próprio Deus na história em Jesus Cristo, na 3ª vela; e Jesus Cristo presente no hoje da história da Igreja e da humanidade até o fim dos tempos, na 4ª vela.

A coroa do Advento também simboliza as alianças de Deus com a humanidade e da humanidade com Deus. Nas escrituras são apresentadas várias alianças: com Noé, com Abraão, com Moisés no Sinai e por fim através Jesus Cristo é feita a nova e eterna aliança e que hoje se renova. Recordando essas alianças do passado, a comunidade vai preparando sua aliança a ser renovada no santo Natal. A fita vermelha que vai envolvendo a coroa lembra estas alianças. As alianças se realizam pelo sangue, expressão de amor até a morte, como foi a aliança definitiva em Cristo Jesus.

A Árvore de Natal, geralmente da família das cuneiformes, é uma das poucas árvores que conservam o verde nos invernos mais rigorosos. É a árvore da vida e da felicidade. Torna-se fácil descobrir nela a árvore da vida do paraíso. Representa também a árvore da qual foi feita a cruz que Jesus carregou ao calvário. Não podemos separar o Natal e a Páscoa por serem complementares. O verde que não se desfaz representa a presença de Deus na história da humanidade suscitando a esperança. A esperança salva por provocar o movimento e a busca de saídas para uma situação melhor.

A vela acesa está muito presente nas celebrações do Natal. Mesmo que existam tantas outras formas de luz nas decorações natalinas, a vela acesa não é luz artificial e cria um ambiente de intimidade e de confraternização. Cristo é a luz do mundo.

A estrela guiou os magos ao encontro do recém-nascido. A celebração do Natal é estrela que mostra o caminho para encontrar Jesus Cristo, adorá-lo e deixar-se iluminar por Ele.

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Fonte: Noticias da CNBB

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