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Admirável sinal – (Carta Apostólica do Papa sobre o presépio)

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

No dia primeiro de dezembro iniciamos, com toda a Igreja, um dos tempos fortes que a Liturgia nos apresenta para aprofundarmos nossa vida de fé: o tempo do advento, tempo de preparação para acolher o Senhor que veio, vem e virá. Já podemos perceber ao nosso redor os sinais externos da chegada do adento e da proximidade do natal: árvore de natal montada, cor litúrgica roxa, coroa do advento acesa. Mas neste ano, ganhamos um presente especial que vem nos auxiliar nesta etapa de preparação. O Papa Francisco assinou na tarde do dia 01 de dezembro, a Carta Apostólica ADMIRABILE SIGNUM, (admirável sinal), onde ressalta a importância de um dos símbolos mais tradicionais que temos para a celebração do Natal: o presépio.

Nestes tempos em que os sinais cristãos vão pouco a pouco sendo desprezados e o Natal vai se transformando em uma festa d consumo, a carta do Santo Padre nos exorta e nos esforçarmos para recolocar os símbolos cristãos em evidência demonstrando com sinais qual o sentido da festa de Natal.

Numa Carta Breve, o Santo Padre nos apresenta um pouco da importância, da história e de alguns significados espirituais que o presépio apresenta.

A carta tem seu início mostrando o presépio como um evangelho vivo, ao mesmo tempo que ressalta a importância do prosseguimento desta tradição dentro de nossos ambientes familiares. Seguidamente, faz referência às origens do presépio, passando pela referência de base dos relatos do Evangelho de S. Lucas e da figura de São Francisco de Assis, o primeiro a incentivar a representação de um presépio, no ano de 1223, no vilarejo de Gréccio, na Itália.

Após apresentar uma referência histórica à origem do presépio, o santo Padre nos convida a uma consideração inicial sobre o mistério representado nestas cenas, revivendo as cenas de Belém: De modo particular, desde a sua origem franciscana, o Presépio é um convite a «sentir», a «tocar» a pobreza que escolheu, para Si mesmo, o Filho de Deus na sua encarnação, tornando-se assim, implicitamente, um apelo para O seguirmos pelo caminho da humildade, da pobreza, do despojamento, que parte da manjedoura de Belém e leva até à Cruz, e um apelo ainda a encontrá-Lo e servi-Lo, com misericórdia, nos irmãos e irmãs mais necessitados (AS 3).

Ao repassar os símbolos presentes na representação do Presépio, o Santo Padre faz questão de ressaltar:

– O cenário em que o presépio é colocado: em meio a uma noite escura! Em primeiro lugar, representamos o céu estrelado na escuridão e no silêncio da noite. Fazemo-lo não apenas para ser fiéis às narrações do Evangelho, mas também pelo significado que possui. Pensemos nas vezes sem conta que a noite envolve a nossa vida. Pois bem, mesmo em tais momentos, Deus não nos deixa sozinhos, mas faz-Se presente para dar resposta às questões decisivas sobre o sentido da nossa existência (AS 4).

– A importante figura dos simples pastores: Ao contrário de tanta gente ocupada a fazer muitas outras coisas, os pastores tornam-se as primeiras testemunhas do essencial, isto é, da salvação que nos é oferecida. São os mais humildes e os mais pobres que sabem acolher o acontecimento da Encarnação. A Deus, que vem ao nosso encontro no Menino Jesus, os pastores respondem, pondo-se a caminho rumo a Ele, para um encontro de amor e de grata admiração. (AS 5).

As figuras simbólicas e que representam a sinceridade de coração na proximidade ao menino Jesus:

Nos nossos Presépios, costumamos colocar muitas figuras simbólicas. Em primeiro lugar, as de mendigos e pessoas que não conhecem outra abundância a não ser a do coração. Também estas figuras estão próximas do Menino Jesus de pleno direito, sem que ninguém possa expulsá-las ou afastá-las dum berço de tal modo improvisado que os pobres, ao seu redor, não destoam absolutamente. Antes, os pobres são os privilegiados deste mistério e, muitas vezes, aqueles que melhor conseguem reconhecer a presença de Deus no meio de nós (AS 6).

– As figuras da Virgem aria e de São José: “Maria é uma mãe que contempla o seu Menino e O mostra a quantos vêm visitá-Lo. A sua figura faz pensar no grande mistério que envolveu esta jovem, quando Deus bateu à porta do seu coração imaculado(…)Ao lado de Maria, em atitude de quem protege o Menino e sua mãe, está São José. Geralmente, é representado com o bordão na mão e, por vezes, também segurando um lampião. São José desempenha um papel muito importante na vida de Jesus e Maria. É o guardião que nunca se cansa de proteger a sua família (AS 7).

– O centro do presépio: a admirável figura de Jesus que se faz Menino: O coração do Presépio começa a palpitar, quando colocamos lá, no Natal, a figura do Menino Jesus. Assim Se nos apresenta Deus, num menino, para fazer-Se acolher nos nossos braços. Naquela fraqueza e fragilidade, esconde o seu poder que tudo cria e transforma. Parece impossível, mas é assim: em Jesus, Deus foi criança e, nesta condição, quis revelar a grandeza do seu amor, que se manifesta num sorriso e nas suas mãos estendidas para quem quer que seja (AS 8).

A figura dos três reis magos celebrados na Epifania: Ao fixarmos esta cena no Presépio, somos chamados a refletir sobre a responsabilidade que cada cristão tem de ser evangelizador. Cada um de nós torna-se portador da Boa-Nova para as pessoas que encontra, testemunhando a alegria de ter conhecido Jesus e o seu amor; e fá-lo com ações concretas de misericórdia (AS 9).

Finalmente, o santo Padre termina a carta ressaltando a importância de cultivar a montagem do presépio em família, como tradição que narra o amor de Deus, o Deus que Se fez menino para nos dizer quão próximo está de cada ser humano, independentemente da condição em que este se encontre (AS 10).

O Natal bate às nossas portas e deve inundar nosso coração com a proximidade de Deus simbolizado nas imagens do Presépio. O presépio é a eloquente representação de que Jesus deve habitar em nossos corações e que o Redentor Menino é o centro e o “dono” da festa de Natal.

O Presépio fascina e ao mesmo tempo nos faz sentir o espírito de Belém, a graça contagiante daquela noite santa em torno da manjedoura lugar do nascimento de Nosso Senhor. A cena tem seus principais elementos no estábulo, que contém a manjedoura onde Jesus é colocado, com Maria sua Mãe, São José, o boi, o burro, os três magos e os pastores. O acontecimento das Escrituras feito poesia através de imagens.

A noite de Natal no traz de volta a pequena Belém, naquele local onde nasceu o Menino Jesus, e referem-se também à importância que a festa do Santo Natal teve para o Pobrezinho de Assis. Foi ele quem estabeleceu a tradição do presépio, com a intenção de representar a condição de pobreza e simplicidade com a qual Deus escolheu tornar-se pequeno, tornar-se criança, ser acolhida pelos homens. O Natal é a epifania, isto é, a manifestação de Deus e sua grande luz por meio de uma criança que nasceu para nós. Nascido no estábulo de Belém, não nos palácios dos reis. Isso deve ter consequências práticas em nossas vidas, tanto no encontro com o Deus próximo de nós como também da simplicidade e pobreza a que somos convidados a viver.

Peçamos ao Senhor para nos ajudar a olhar através das fachadas cintilantes deste tempo até encontrarmos a criança no estábulo de Belém por trás deles, a fim de descobrir a verdadeira alegria e a verdadeira luz desta solenidade.

Sejamos agraciados com o olhar de Deus que se manifesta ao coração simples. E nós rezamos nesta hora por todos aqueles que devem viver o Natal na pobreza, na exclusão, na condição de migrantes, para que possam sentir o amor, o cuidado e a ternura de Deus conservemos este olhar de São Francisco sobre o presépio de Nosso Senhor.

Ofertamos ao menino Deus nossa vida toda inteira, nossos sonhos e esperança, ao presépio levaremos o coração misturado com os desejos mais sinceros de lutarmos por um mundo mais humano, mais justo e fraterno; junto ao ouro que simbolizava o presente reservado aos reis e Jesus é o rei dos reis; o incenso: como testemunho de adoração à sua divindade, porque Jesus é Deus; e a mirra usada na oração pelos mortos, porque Jesus é um homem e um homem na sua condição humana também mortal.

Que ao redor do presépio façamos memoria daquele grande acontecimento que marcou os rumos da história humana, a humanidade jamais foi a mesma desde a grande revelação do mistério da encarnação. Um Deus que se faz pequeno, frágil, menino, para estar conosco eternamente como o nosso Emanuel, o Deus sempre presente no meio de nós. Que a Virgem Maria e São José nos conduzam neste caminho de preparação para o Senhor que vem.

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Fonte: Noticias da CNBB

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