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A morte não é eterna!

Dom Leomar Antônio Brustolin
Bispo Auxiliar de Porto Alegre

No entardecer da vida, seremos julgados pelo amor. Assim São João da Cruz, o grande místico espanhol do século XVII sentenciou sobre o fim de nossos dias. Tratar da morte geralmente é muito difícil porque as pessoas a pensam fora da vida. Morrer faz parte do viver. Gastar tempo, consumir energia, renunciar algo, perder: tudo revela diariamente que a vida é como uma vela que se consome para produzir luz.

Preparar-se para o entardecer da vida não é olhar para a noite da morte, mas perceber que o sol se põe nesta vida terrena, mas continua a brilhar na vida eterna, onde é sempre dia. Falar do morrer significa tratar do viver. Se pensássemos apenas no morrer, colocaríamos o sentido de tudo somente no final da existência. Muitas pessoas tenderam para essa posição e acabaram desprezando o viver e perdendo o sabor dos dias na Terra. A tentação maior de nossos dias, contudo, é a abordagem contrária, pensar somente no agora, no material, na vida saudável, jovem e bela. Isso é provisório demais e pode gerar um desespero quando os limites começam a aparecer.

Os cristãos definem a morte como passagem da vida limitada para uma vida plena, em Deus. Trata-se de plenificar e consumar o que agora temos apenas como imagem. Vivemos na fé e na esperança aquilo que um dia veremos plenamente. Ensina o cristianismo que em Jesus Cristo, apesar de vivermos na limitação do tempo, já somos eternos, porque somos filhos da Deus. É por isso que os cristãos já sabem ser ressuscitados e a morte não pode lhes separar de Cristo, como proclama Paulo Apóstolo.

O Ressuscitado não é um sobrevivente, por isso os discípulos demoram a reconhecê-lo, diferentemente de Lázaro, cujo ressuscitamento produziu o reconhecimento imediato e geral. Este último voltou a viver confinado à velha criação. Jesus Cristo, ao contrário, ressuscita e aparece na potência da nova criação. Ele é um homem novo, o primogênito da nova criação, o início da nova humanidade. A morte significa que a vida não é eterna, e a ressurreição significa que a morte não é eterna. Somente a vida nova é eterna.

Este é o sentido de nosso ser mortal: uma vida alienada de Deus não tem futuro. Eternizar esta vida seria eternizar suas contradições, suas culpas, o mal praticado e sofrido: seria eternizar a morte. Pelo fato de nossa vida ser mortal e limitada, somos levados a desejar uma vida que dure para sempre, por isso deve ser mudada, transformada.

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Fonte: Noticias da CNBB

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