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Palavra de Dom Alberto Etges ao Clero

Dom Aloísio Alberto Dilli
Bispo de Santa Cruz do Sul

Estimados diocesanos. No dia 15 de novembro desse ano, estamos celebrando o jubileu de 60 anos da instalação da Diocese de Santa Cruz do Sul. Respiramos, portanto, um clima jubilar, com toda a riqueza que lhe é própria. Todos os que fazem parte dessa história de seis décadas são jubilandos, convidados a celebrar este “ano da graça do Senhor” (Is 61, 2 e Lc 4, 19), com espírito de gratidão e de reconciliação.

Ao voltarmos nossa atenção aos primórdios de nossa diocese, desejamos apresentar parte das sábias palavras de nosso primeiro bispo – Dom Alberto Etges, então dirigidas ao clero e que continuam a ecoar hoje em nossos ouvidos com inquestionável atualidade. Dizia o Pastor em sua Carta de Saudação, no primeiro dia da jovem diocese:

Passarei, agora, a dizer o que espero de vós, prezados sacerdotes, irmãos verdadeiramente amados no sacerdócio e filhos muito diletos em Nosso Senhor. Primeiramente, o que espero de vós, prezados sacerdotes. Antes de mais nada, eu quero que vos aproximeis de mim com toda a confiança, com a simplicidade e a alegria, com que um filho se aproxima do pai e o irmão do irmão. Deo volente, a casa do bispo será a vossa casa, a mesa do bispo, a vossa mesa. Nos vossos cuidados pastorais imaginai que, ao menos enquanto vos estais preocupando, se não antes, o vosso bispo já teve os mesmos e maiores cuidados, já teve as mesmas preocupações. Espero poder ser o hóspede amigo das vossas casas paroquiais, não só nos dias de visita oficial, como o exige a sabedoria tradicional da Igreja através do Direito Canônico, mas no vosso trabalho diuturno junto às almas, no vosso labor quotidiano, que é o que verdadeiramente edifica a Igreja de Deus.

Em segundo lugar, eu quero que vos sintais unidos uns aos outros, amados sacerdotes, assim como os filhos da mesma casa se sabem unidos entre si. Somos tão poucos e a messe é tão grande, que seria trair a nossa missão, se nos dispersássemos, minimamente que fosse, em nossas opiniões e atitudes particulares. Por isso mesmo, sintamo-nos, sempre, mais a serviço da Igreja do que da própria diocese; mais a serviço da diocese, do que a serviço da própria paróquia ou de outra instituição; mais a serviço desta, do que de algum grupo particular, por mais respeitável que seja. ‘Vós sois de Cristo, Cristo, porém, é de Deus’ (cf.1 Cor. 3,23).

Dentro deste espírito da Igreja não nos preocupam preferências de lugar ou de nomeação, e a este propósito é de justiça ressaltada, louvar e agradecer o magnífico exemplo de confiança e de conformidade, que destes, com a vontade da Igreja, esperando tranquila e desprendidamente, cada um no seu posto de trabalho, a fundação da nova diocese. Isto revela, também, como a única pretensão de nosso clero, que é servir; que longe dele estão quaisquer sentimentos de interesse ou de opinião particularista, mas que a grande, exclusiva e nobilíssima ambição de sua vida sacerdotal é a de salvar almas. Este será, precisamente, o terceiro traço de união, que nos ligará entre nós. E o quarto, para dizê-lo logo, pois envolve e fundamenta todos os demais, será o que nos ligar no próprio Deus Nosso Senhor, através de nosso sacerdócio, cada vez mais plenificado na luz e na força da graça de Deus.

Assim, pois, unidos entre nós, porque irmãos no sacerdócio, unidos entre nós, porque deputados ao mesmo serviço exclusivo das almas; unidos em Deus Nosso Senhor através da graça sempre mais atuada no sacramento da nossa ordem, daremos ao mundo de hoje o mesmo espetáculo de desprendimento, de união e de amor, que fez exclamar os homens assombrados ao contato com os primeiros cristãos: ‘Vede como eles se amam!’”.

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Fonte: Noticias da CNBB

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