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A vida nas mãos do Criador

Dom José Gislon
Bispo de Caxias do Sul 

 

Estimados irmãos e irmãs! Na comemoração dos fiéis falecidos, somos tocados, pela recordação e a dor da separação, de pessoas que amávamos, mas que partiram às vezes de forma repentina e trágica, que o nosso coração e a razão resistem em acreditar e aceitar os fatos.

A Sagrada Escritura, no Livro de Jó (Jó 1-2), nos traz a figura deste servo sofredor, justo, fiel e temente a Deus, que é duramente provado com a sua fé pelos fatos da vida, mas resiste em abandonar sua confiança no Senhor. Jó, não tinha a luz da Páscoa – Jesus – e não podia compreender o último destino do homem. E o texto do Livro de Jó, nos relata a dor do coração do homem diante do mistério da morte. Jó foi provado naquilo que mais fere a vida de uma pessoa, porque toca o coração, o amor pelos que fazem parte da nossa família, da nossa vida. Jó passa pela experiência de perder os filhos, os bens, a estima de sua esposa, a compreensão dos amigos, e não foge da última luta necessária, aquela com Deus, última razão do nosso viver e morrer. Jó teve tantas perdas, que é difícil um coração suportar, mas não perdeu o essencial, a fé, a paixão e a ternura, porque a escuridão da dor não apagou a luz e o fogo que ardiam no fundo do seu coração, e alimentavam a sua confiança no amor de Deus, que é capaz de resgatar tudo aquilo que é vida e de tudo aquilo que é humano.

Em Jó, nasce a esperança de que a morte não terá a última palavra. Ele foi envolvido por acontecimentos dolorosos e muitas vezes não encontrava explicações do porque aquilo estava acontecendo na sua vida. Mas Jó tinha a confiança em Deus, e nesta confiança ele esperava o dia em que iria compreender até mesmo o mistério da dor inocente, que o atingiu, e atinge tantas famílias na nossa sociedade.

Quantas vezes já passou pela nossa mente: Qual o meu destino depois desta vida? Como Deus vai avaliar-me? Estarei eu participando do banquete eterno na casa do Pai? Se o ingresso na casa do Pai fosse condicionado pelo nosso comportamento, o risco de permanecermos fora seria muito grande, para todos nós, e não poderíamos viver de forma serena tendo no coração esta interrogação.

Para os cristãos, é a ressurreição de Cristo a lente através da qual cada um pode ler a vida e a morte. E não será uma leitura cristã se não se parte da ressurreição. Em Jesus se realiza a salvação da humanidade, por meio da sua morte e ressurreição. Os mistérios pascais são a sentença de condenação da morte. No entanto, é necessária a fé no senhor Jesus para receber a vida eterna e a ressurreição: “Porque esta é a vontade do meu Pai: que toda pessoa que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna. E eu o ressuscitarei no último dia”(Jo 6,40).

Destas palavras de Jesus, podemos compreender também que a fé não é somente espera da ressurreição, mas é já hoje participação na vida eterna. E, se a morte é o momento do encontro com Cristo e do ingresso na sala do banquete nupcial, não deveria ser um evento temido, é espera, para receber o abraço da misericórdia e contemplar a face de Deus.

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Fonte: Noticias da CNBB

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