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A Igreja na escuta dos povos amazônicos

Dom Vital Corbellini
Bispo de Marabá (PA)

 

O Sínodo chegou ao seu fim e foi uma grande escuta dos povos amazônicos, sobretudo os povos originários, os povos indígenas. Eles são percebidos de uma forma importante de modo que eles são os guardiões das florestas, das matas. Foi muito bom que a polícia italiana encontrou as estatuetas jogadas no Rio talvez por pessoas preconceituosos ou que não quiseram dar valor à cultura indígena. No sábado, na última congregação que realizamos foram colocadas na frente junto às figuras dos mártires da Amazônia. O Papa Francisco deu uma palavra de perdão e de louvor aqueles que as encontraram. 

O Sínodo ouviu a todas as pessoas que fazem parte do universo da Amazônia. Deve-se dizer que os povos originários são pessoas simples, mas abertas às novidades do Reino de Deus. É desta forma que a Igreja está ao seu lado, porque são povos vulneráveis, como diz o Papa Francisco, precisando do nosso apoio. Nós também tivemos presentes a evangelização junto a esses povos, que anuncia a Cristo Jesus, é o Salvador da humanidade, mas também ela recebe valores importantes para o bem viver. As sementes do Verbo, como já dizia São Justino estão presentes na vida desses povos, nas pessoas de bem. 

Esta escuta foi dada também para os povos da cidade. Vemos que a grande maioria da população da Pan-Amazônia vive nas cidades. Mas também se deve dar atenção aos povos do campo, em busca de terra para sobreviver. A realidade é que a concentração de terras está se fazendo sempre mais na Amazônia por pessoas que sempre mais a buscam, muitas vezes comprando ou expulsando pessoas de terras cultiváveis. A terra é dom de Deus e foi dada para todas as pessoas. 

Nesta escuta percebemos muitas lideranças que foram perseguidas, ou mesmo assassinadas pela causa da justiça, da terra. Bem-aventurados os mansos porque possuirão a terra (Mt 5,5). Nós devemos ser promotores de uma nova evangelização que vá ao encontro das pessoas, doentes e pobres. Devemos ser uma Igreja samaritana, que á valor aos sofredores da sociedade, para que tenham vida digna. 

Vimos nesses dias de Sínodo a história bonita nesta escuta do trabalho feita por muitos missionários e missionárias que deram a suas vidas, a exemplo do Senhor pelo povo da Amazônia. O Sínodo também disse que uma pagina gloriosa são os mártires da Amazônia, que seguiram a Jesus Cristo, que amaram o povo de Deus e lutaram por vida e por isso foram perseguidos e alguns foram mortos pela causa do Reino de Deus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus (Mt 5,10). Almejamos que surjam sempre mais pastores que servem bem o povo de Deus, dando vida, paz e amor para todos e assim o Reino de Deus cresce com a participação de todas as pessoas. 

O Sínodo chegou ao seu fim com muitas decisões importantes para serem seguidas, como a Igreja de Jesus Cristo que busca se inculturar junto aos povos da Amazônia, que dê valor aos povos originários, que vá ao encontro dos pobres, dos simples, das cidades e dos campos, que valorize a piedade popular, que supere a violência, que valoriza a vida e seja um sinal para todas as pessoas, espalhando o amor a Deus, ao próximo como a si mesmo. O Senhor abençoe o Papa e todos aqueles que participaram do Sínodo sobre a Amazônia: Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral.

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Fonte: Noticias da CNBB

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