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“O Papa nos desafiou a melhorar nas respostas aos desafios”, diz padre Dario Bossi

O missionário italiano, padre comboniano Dario Bossi, apesar de europeu tem os pés bem fincados na Amazônia. Ele trabalha em prol das vítimas do extrativismo predatório na região. Foi eleito pela União dos Superiores Gerais para participar do Sínodo e representar todas as pessoas que sofrem com o extrativismo na Amazônia. Padre Dário é membro da Rede Igrejas e Mineração e da Comissão Especial da CNBB para a Mineração e a Ecologia Integral. No Sínodo, um apelo do Papa o chamou atenção. O de que é preciso avançar e melhorar na qualidade das respostas aos desafios apresentados. “O Papa nos desafiou na Sala Sinodal. Ele disse que todos temos clareza da missão da Igreja, da importância do cuidado da Casa Comum. Mas talvez temos menos unidade e menos elementos comuns em termos de intuições a respeito das respostas que precisam ser dadas”.  Em entrevista ao site da CNBB, padre Dario Bossi fala sobre os trabalhos finais do Sínodo e revela os conselhos do Papa Francisco para a etapa de redação do documento final que será apresentado no próximo sábado.

Como estão os trabalhos desta última semana na avaliação do senhor?

Os trabalhos desta semana no Sínodo são como a construção de um mosaico, em que as peças vêm se compondo e o desenho começa a aparecer, talvez um desenho diferente do que tinha antes, um desenho que também foi esboçado pelo instrumento de trabalho. O Sínodo é, de certa maneira, o encontro da Igreja com seus diversos rostos, que estão aqui, a maioria dos participantes é da Amazônia, mas há também da Europa, da África, da América do Norte, da Ásia. Portanto, essas diferentes experiências eclesiais, pastorais e teológicas vêm se compondo num mosaico importante, que é o mosaico dos rostos da Igreja, que se encontra na unidade por meio da sua diversidade.

Não é fácil, sentimos às vezes o peso e o desafio desse exercício, mas é preciso fazer o exercício de aprender a se encontrar e dialogar, que é o maior desafio do nosso tempo, da nossa cultura, da nossa atualidade, a construção da comunhão na diversidade, aquilo que o Papa Francisco chama a diversidade reconciliada. Outro princípio importante nesse Sínodo é aquele que fala que devemos nos preocupar mais em iniciar processos do que em ocupar espaços. Agora estamos num tempo de redação do documento final e, nesse tempo, temos que manter a fidelidade às escutas dos territórios, que foram feitas por meses, com mais de 80 mil pessoas, sempre com muito respeito e com muita seriedade, num processo de escuta do Espírito que fala através dos povos. Agora é juntar tudo isso, com discernimento, ao que ouvimos na Sala Sinodal, nos grupos e, com isso, invocar a sabedoria do Espírito Santo para identificar os núcleos geradores que devem entrar no documento final, aquelas intuições que gerem vida para aquelas etapas que virão após o Sínodo.

O que o Papa espera como respostas neste Sínodo?

O Papa nos desafiou na Sala Sinodal. Ele disse que todos temos clareza da missão da Igreja, da importância do cuidado da Casa Comum, também temos uma certa clareza e uma certa comunhão de visões a respeito das maiores ameaças que pairam sobre a Amazônia, sobre o planeta. Mas talvez temos menos unidade e menos elementos comuns em termos de intuições a respeito das respostas que precisam ser dadas. É preciso avançar e melhorar na qualidade das respostas aos desafios apresentados no Sínodo para a Amazônia. O Papa Francisco disse que ainda sente falta de um elemento unificador, de uma intuição geradora. Não espera de nós uma colcha de retalhos ou soluções agregadas. Disse que não pede que se administre só uma resposta racional. Ele fez um apelo a buscar algo que transborde, como transborda o Espírito, a graça em cima do pecado. Há uma urgência social, ambiental, eclesial e pastoral a qual nós devemos responder.

Os trabalhos estão adiantados? O que falta para a redação final?

Os trabalhos estão adiantados. A angústia é que o tempo sempre é pouco, com 250 pessoas trabalhando não é tão fácil. Foi-nos entregue um esboço do documento final, esse esboço foi estudado de novo nos círculos menores. Cada grupo preparou uma série de emendas e propostas para corrigir e complementar, acrescentar elementos a esse texto. Essas emendas agora estão nas mãos dos redatores, que têm o desafio enorme de reajustar o texto. Eles terão dois dias agora para fazer isso. E nós ficamos em oração para que o Espírito Santo os inspire e os ajude a encontrar um fio que os conduza ao documento final. Sábado de manhã será entregue o documento final aos participantes presentes na Sala Sinodal, haverá uma leitura e, à tarde, será a votação de cada ponto do documento.

Manuela Castro – Cidade do Vaticano

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Fonte: Noticias da CNBB

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