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Padre verbita destaca interculturalidade para a missão da Igreja na Amazônia

O caminho de evangelização na Amazônia tem nas raízes conciliares a inculturação como perspectiva. Para os missionários que atuam na região, um outro conceito pode direcionar a atuação da Igreja na encarnação do Evangelho de Jesus Cristo: a interculturalidade. Entrevistado no intervalo do Sínodo para a Amazônia nesta terça-feira, 22, o padre José Boeing, representante da Sociedade do Verbo Divino na assembleia sinodal, abordou este conceito baseado no diálogo.

Considerando os 500 anos de evangelização, o padre verbita destaca que “já há um contato com o cristianismo” na região, mas, mesmo antes disso “o Espírito de Deus já pairava sobre as águas”. O processo de inculturação, levado pelos missionários, consiste na escuta e consequente proposição de um modelo. “Agora falamos de interculturalidade, o diálogo entre as culturas, os afrodescendentes, os ribeirinhos, os pescadores, os migrantes. Estamos falando sobre isso, respeitar os costumes e tradições que lá existem”, afirma o padre ao revelar que o Sínodo reflete sobre um rito amazônico para a Igreja, a exemplo dos orientais que já existem.

“Inculturar-se é entrar na cultura, interculturalidade é dialogar com as culturas, e também com as religiões. Nós temos uma imensidão de religiões, de denominações pentecostais e de outros que podemos fazer um diálogo maior em prol da Casa Comum, a Ecologia Integral”, destaca o padre, que atua na prelazia de Itaituba (PA) e também está envolvido com iniciativas de Justiça, Paz e Integridade da Criação.

O diálogo com culturas e outras religiões não sugere uma relativização, segundo o padre. Mas é um mandato missionário. “A Igreja quer aplicar o Evangelho e Jesus Cristo se encarnou, Ele está presente na Amazônia. Aqui estão os bispos, padres, irmãos, leigos e indígenas dizendo que Igreja nós queremos, com o rosto amazônico, isto é, respeitar os povos e seus territórios”.

O trabalho da congregação do Verbo Divino também está nesta perspectiva, segundo o padre José Boeing. Na região desde a década de 1980, os verbitas atuam no Pará, no Amapá, em Rondônia e no Amazonas, “com compromisso de uma Igreja inculturada, a serviço do povo”. E as discussões do Sínodo estão relacionadas ao que a congregação pensa para a atuação da Igreja na Amazônia: “o diálogo intercongregacional, diálogo inter-religioso, com as culturas, defesa dos territórios, dos povos. O nosso trabalho é muito dentro dessa linha missionária de estar presente nas realidades mais difíceis que a Amazônia hoje passa que é uma Igreja em saída, uma Igreja a serviço, uma Igreja samaritana e, acima de tudo, em defesa dos povos e dos seus territórios”.

A realidade amazônica exige aos missionários aprender a escutar e se fazer presente. “Você não foi salvá-los, eles já têm Jesus Cristo, nós fomos para conviver, dialogar. E como missionário, tem que se despojar, sair do conforto, não posso ter uma visão egoísta, porque para os povos da Amazônia a terra é a nossa morada, é o nosso peixe, a nossa floresta”, sublinha.

“O que mais é importante é se desprender de si e estar em contato com a cultura de quem você trabalha”, partilha. “Para mim como missionário do Verbo Divino tem sido muito bom essa interculturalidade da dança, da festa, da alegria, da partilha da comida, tudo uma vida mais simples e comunitária. Entrar na vida dos povos com todas as suas alegrias, sofrimentos, seus sonhos. Deus está com esses povos apesar do sofrimento”.

Documento Final
Nesta última semana do Sínodo, os trabalhos estão voltados para a elaboração do documento final, que deve resumir as reflexões e direcionar indicações para a atuação da Igreja na Amazônia, as quais serão apreciadas pelo Papa Francisco.

Padre José Boeing afirma que a intenção é fortalecer a missão da Igreja na região e firmar um compromisso com a natureza, o respeito à água, à terra, aos povos e uma vida digna para todos.

“Queremos colocar tudo dentro de um projeto missionário inovador que o Papa Francisco teve a feliz intuição do Espírito de convocar esse sínodo, o que nós agradecemos. E também queremos nos comprometer com tudo que está acontecendo aqui”, afirmou.

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Fonte: Noticias da CNBB

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