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Uma Igreja Sinodal na Pan-Amazônia

Dom Vital Corbellini
Bispo de Marabá – PA

 

Estamos evoluindo no debate para que surja sempre mais uma Igreja sinodal a partir do próprio Sínodo dos Bispos na Amazônia. Estamos buscando novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral. O Senhor Jesus Cristo nos enviou para esse momento de graça e de responsabilidade humana. De fato está sendo um Kairós para todos os participantes do Sínodo, uma ocasião propicia para a graça de Deus reinar em cada um de nós. A oportunidade é única onde os povos originários, os povos indígenas, os povos da Amazônia sejam eles das cidades, sejam eles dos campos estão sendo ouvidos por toda a Igreja em um Sínodo. Os povos indígenas estão sendo ameaçados em seus territórios, rios e florestas, porque se essas caírem eles também poderão cair. Nós não podemos permitir que essas coisas acabem para o bem deles e de toda a humanidade.

Esta Igreja sinodal tem uma eclesiologia batismal, colegial que é sem dúvida diferente de uma igreja clerical. É a Igreja na corresponsabilidade do povo de Deus e na missão da Igreja no mundo. É a busca de uma Igreja com rosto amazônico onde leigos e leigas, religiosos, diáconos, presbíteros e bispos tenham uma formação inculturada na Amazônia, pelo seguimento a Jesus Cristo, caminho, verdade e vida. Este rosto também deve contemplar uma formação integral com uma espiritualidade bíblica, cristológica, trinitária, comunitária, ecológica em vista de uma conversão pastoral e conversão ecológica. Nós somos chamados a estar mais próximos do povo de Deus, vendo os sinais de Deus para sermos servos que trabalham no engrandecimento do Reino de Deus neste mundo e um dia na eternidade.

Esta igreja deverá contemplar os ministérios para os homens e para as mulheres porque as necessidades e as comunidades são de variadas formas. Vemos que muitas comunidades tem pouca a presença do sacerdote, da eucaristia. Sabemos que a Igreja vive da eucaristia e a eucaristia está ligada a Igreja sendo o pão para a vida eterna. Por isso será importante o surgimento de novos ministérios que possibilitem as comunidades terem acesso à palavra de Deus e à eucaristia. É claro que para isso deve incluir leigos e leigas, grande maioria do povo de Deus, pela valorização do seu papel profético e inovador.

Devemos ressaltar que esta igreja sinodal valoriza as comunidades de base, espaços de educação da fé, da esperança e da caridade pela centralidade da pessoa de Jesus Cristo, caminho, verdade e vida para toda a humanidade. Essas comunidades são convidadas a serem missionárias como nos exortam as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil para os próximos quatro anos. O Senhor nos dê a graça de viver bem a sinodalidade, como o seguimento a Cristo Jesus e à sua Igreja no mundo de hoje.

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Fonte: Noticias da CNBB

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