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Sínodo discute as migrações e o papel da Igreja no acolhimento dos que se deslocam

A Amazônia se encontra entre as regiões com maior mobilidade interna e internacional na América Latina. Entre as causas das migrações estão questões sociopolíticas, climáticas, de perseguição étnica e econômica. A região se transformou num corredor migratório, como explicou o padre Sidney Dornelas, diretor do Centro de Estudos Migratórios Latino-Americanos, durante o Sínodo para Amazônia que está sendo realizado até o dia 27 de outubro, no Vaticano.

Um dos capítulos do Instrumentum Laboris, o instrumento de trabalho do Sínodo, dedica-se à migração. É o capítulo 3 da segunda parte. Nele, destaca-se a importância de se articular um serviço de acolhimento em cada comunidade urbana que permaneça alerta aos que chegam de forma imprevista, com necessidades urgentes; além de fomentar a integração entre migrantes e comunidades locais, respeitando a identidade cultural dassas pessoas.

Segundo o padre Sidney, a Igreja deve trabalhar em rede, também com as instituições, para responder às necessidades dos migrantes. Ele explica que isso já vem acontecendo em alguns lugares, devido à crise migratória que se instalou na Amazônia nos últimos dez anos.

“Muitos imigrantes do Haiti chegaram à região amazônica após o terremoto que abalou aquele país. Desde 2017, milhares de migrantes também vêm da Venezuela. São grandes fluxos de pessoas que atravessam a Amazônia. Alguns permanecem na região. A Igreja assumiu o papel de acolhimento dessas pessoas e complementou o trabalho do governo”, afirmou padre Dornelas.

O estudioso trouxe uma proposta ao Sínodo: “o que estou sugerindo aqui é repensar a cooperação entre as igrejas para ajudar esses imigrantes. As igrejas devem trabalhar em rede, para acompanhá-los, na Amazônia e nos grandes centros, para onde muitos se deslocam. É importante ter um organismo para atender a essa realidade missionária”, defendeu padre Dornelas.

Marcivana Rodrigues Paiva, liderança do povo Sateré-Mawé no Amazonas, trabalha com comunidades indígenas que se deslocaram para Manaus. Segundo Marcivana, atualmente há 45 povos indígenas morando na cidade, que falam 16 línguas diferentes, totalizando 35 mil pessoas.

“Na cidade o maior desafio é a invisibilidade. Quando alguém é invisível não tem direitos. Os indígenas ficam nessa condição porque não são incluídos no contexto urbano e sofrem preconceito. Perdem a identidade cultural e o próprio território. Temos um laço muito forte com a terra, nossa espiritualidade está centrada na terra. Por isso, os indígenas que vão às cidades precisam do apoio da Igreja, porque já chegam fragilizados”, explica a líder indígena.

Marcivana acredita que o trabalho da Pastoral Indigenista deve ser fortalecido: “a pastoral nos apoia e nos acompanha. Olha para os que estão desassistidos pelos governos e pelo poder público. A Pastoral Indigenista deve estar cada vez mais próxima na acolhida e no diálogo, na preservação da cultura e da língua própria”, finalizou.

Manuela Castro – Cidade do Vaticano

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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