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Para dom José Altevir, o Sínodo pode propor mudança territoral da Igreja na região

Nesta semana em que se avança para a sistematização das propostas finais no relatório do Sínodo para Pan-Amazônia que se encerra no próximo domingo, 27 de outubro, no Vaticano, dom José Altevir da Silva, bispo de Cametá (PA) , em live no Facebook, fala de um novo modelo de organização territorial da presença da Igreja na região.

Dom José Altevir, bispo de Cametá (PA). Foto: reprodução.

Segundo o bispo, como fruto das propostas, o relatório pode apontar a necessidade de um novo modelo de organização territorial da Igreja e das dioceses para a região Amazônica tendo em vista a superação do modelo de “pastoral de visita” para a “pastoral da presença” um dos gritos fortes das escutas sinodais. “Têm dioceses e prelazias com 360 mil quilômetros quadrados. Isto é quase inimaginável como fazer uma presença mais demorada às comunidades com a quantidade de padres e missionários que temos. Isto são novos caminhos”, disse.

A última semana de trabalhos sinodais, segundo o bispo, vai expressar um pouco as duas anteriores. “Agora estamos neste processo de unir todos os pensamentos e procurar ver a direção. O que o Sínodo vai nos oferecer e o que vamos levar de volta para a Amazônia. É um momento de bastante empenho e esperança, de abertura ao Espírito Santo”, disse.  O momento, segundo dom Altevir, é de identificar na sistematização final do relatório o que é bom para a Igreja não só na Amazônia mas para a Igreja no mundo e o que é bom para a Amazônia e para os povos. “Não é algo fácil, exige mais que conhecimento exige inspiração de Deus, o criador que com carinho fez aquele jardim que é a Amazônia e nos colocou lá dentro para cuidarmos.

Para o bispo os seres humanos estão falhando na tarefa de cuidar, como guardiães, da Amazônia. “A gente percebe a cada dia o descuido. O econômico sobrepondo-se às necessidades vitais. A ganância de um sistema mortífero que leva as pessoas a valorizar mais o recurso, o dinheiro, do que o ser humano e o meio ambiente”, criticou.

Quatro dimensões – Dom Altevir informa que o relatório final está sistematizando as propostas em torno de quatro dimensões: pastoral, cultural, social e a ecológica. “Dentro destas 4 dimensões, todas as proposições feitas estão contempladas. Agora estamos sistematizando as propostas. Acredito que o documento pós sinodal não vai fugir à estas dimensões; O Sínodo está montando em cima desta plataforma”.

Para o bispo, a dimensão mais exigente de dar respostas será a ecológica, uma vez que não depende apenas da ação da Igreja mas de várias forças, incluindo as forças “arrasadoras que vêm mais de fora que de dentro”. “A Dimensão Pastoral não é tão difícil porque o próprio Concílio Vaticano II já nos deu bastante abertura para pensar uma celebração inculturada, inclusive está sendo apresentado um rito próprio para a Amazônia”, disse.

O religioso lembra que a “Amazônia sempre foi um espaço da missão”, desde a chegada dos primeiros missionários, que morreram muito jovens, em função de doenças tropicais e do martírio a favor dos pobres. “Mais do que nunca a gente percebe a liderança missionária da Igreja sendo ameaçada. Onde estou no Pará a gente percebe que a vida realmente vale pouco. Os líderes que realmente estão a favor da luta do povo são ameaçados com muita facilidade e não tem tanta proteção”.

“A Igreja na Amazônia tem rosto e sempre foi missionária. Não vai se criar um rosto agora a partir do Sínodo. Ela tem pés para ir em direção à necessidade das pessoas. Ela tem mãos para servir aos que mais necessitam. Ela tem joelhos para dobrar no chão e rezar a oração. E tem o coração que compõe o essencial do verdadeiro missionário e missionária. Por isto, eu digo: a Igreja na Amazônia é missionária desde sua origem. Então o que o Sínodo pode nos ajudar é fortalecer e fazer uma atualização de nossa caminhada não apenas em defesa do ser humano e do meio ambiente. A hermenêutica da Esperança do Evangelho para os pobres precisa ser interpretada e atualizada para nossa realidade e dias”, disse.

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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