CNBB

O anjo da Bahia

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre 

“As pessoas que espalham amor, não têm tempo nem disposição pra jogar pedras” (Santa Dulce dos Pobres). Foi a disposição de espalhar amor, de fazer o bem que fez de  Irmã Dulce uma grande mulher.

No último domingo (13), na Praça de São Pedro, o Papa Francisco inscreveu no catálogo dos santas e santas o “Anjo Bom da Bahia”.

A obra iniciada num galinheiro transformou-se num grande hospital, onde os mais pobres entre os pobres até hoje podem encontrar alívio para suas dores.

Se um fato extraordinário – um milagre – permitiu que ela fosse elevada às honras do altar, foram os fatos ordinários, a ternura, o cuidado da vida, o respeito pelos mais necessitados que foram moldando a vida de Maria Rita de S. B. Lopes – a primeira santa nascida no Brasil.

De constituição física frágil, interiormente forte, incansável na sua determinação de ir ao encontro dos mais frágeis e deixar-se encontrar por eles, ela compreendeu que quando a “gente cuida da dor de alguém, Deus cuida da dor da gente”.

O exemplo de Santa Dulce dos Pobres recorda um modo de ser e de agir em favor do cuidado do ser humano e da vida que expressa uma saudade inata no indivíduo: de um mundo harmonioso e solidário, onde o cuidado de uns pelos outros seja a suprema norma. “A afirmação de que as estruturas justas tornariam supérfluas as obras de caridade esconde uma concepção materialista do homem: o preconceito segundo o qual o homem viveria ‘só de pão’ – convicção que humilha o homem e ignora precisamente aquilo que é mais especificamente humano” (Bento XVI).

O anjo bom da Bahia foi testemunha viva e ambulante de misericórdia – “a mais importante e talvez a única lei da vida da humanidade” (Dostoiévski). Por meio do exercício da misericórdia, ela testemunhou o que significa o verdadeiro amor: cuidado do outro e pelo outro.

Por meio de sua dedicação aos pobres, a primeira mulher brasileira a ser inscrita no catálogo dos santos mostra o quanto é importante a atividade caritativa da Igreja e o empenho de todos em favor de um justo ordenamento do Estado e da sociedade. Recorda que o exercício da caridade é um dever congénito da Igreja, pois o ser humano “além da justiça, tem e terá sempre necessidade de amor” (Bento XVI).

O post O anjo da Bahia apareceu primeiro em CNBB.


Fonte: Noticias da CNBB

Artigos relacionados