CNBB

Dom Vital Corbellini fala da alegria de participar do Sínodo para a Amazônia: novo Pentecostes

“Estamos aqui muito felizes por este sínodo que é uma graça, é um novo Pentecostes”, afirmou o bispo de Marabá (PA), dom Vital Corberllini, entrevistado no intervalo das atividades desta segunda-feira, 14, no Sínodo para a Amazônia.

Ao fim da 9ª congregação geral, dom Vital ressaltou o caráter missionário da Igreja e outras temáticas que são pauta na assembleia: “Todos falaram da Igreja em missão, com rosto amazônico, de uma Igreja que respeite as pessoas. E nós como bispos, padres sinodais, devemos nos encarnar. Se falou muito disso, de uma Igreja ministerial, que busque as necessidades daqueles povos para que todos possam ter a Eucaristia, que todos possam ter a Palavra de Deus”.

Dom Vital valoriza a oportunidade de escuta, proporcionada pela metodologia dessas duas primeiras semanas do sínodo, quando os padres sinodais partilham de suas realidades e experiências pastorais a partir do Instrumento de Trabalho: “uma metodologia muito importante para a gente meditar a Palavra de Deus, meditar aquilo que as pessoas estão dizendo e fazer com que de fato a gente possa ter um nível sinodal, de coerência consigo mesmo, com os outros e com Deus”.

“O Espírito Santo que está agindo em cada um de nós”, explica dom Vital ao ser perguntado das polêmicas “que se vão esvaziando” no decorrer das atividades sinodais. É o Espírito Santo que ilumina para uma caminhada em conjunto para a reflexão da realidade desafiadora da Amazônia, que sugere também os povos sofridos da região.

“De fato, a Igreja na Amazônia é rica, mas deve estar ao encontro dos pobres, por isso que esse medo grande em relação ao Sínodo. Não se deve ter medo, devemos apoiar, devemos rezar para que saiam decisões coerentes, decisões muito bonitas em favor de nossa Igreja e do nosso povo para o qual o Senhor nos enviou”, reforça o bispo.

Desde o final da última semana, os participantes do sínodo reúnem-se em determinado momento nos círculos menores, que são grupos de trabalho para reflexão dos temas em debate. “Nós estamos debatendo nos círculos menores a questão da missionariedade, da cultura, da Igreja na Amazônia, uma Igreja em saída, a questão ministerial. Tudo isso se referirá à equipe de redação final”, conta.

Dom Vital também foi perguntado sobre a participação e presença das mulheres na vida e missão da Igreja: “As mulheres formam grande maioria dessas nossas comunidades. Elas já têm seu reconhecimento por seu trabalho e dedicação, muitas estão à frente de comunidades e paróquias e isso nos alegra muito”, pontou dom Vital, que ainda lembrou das mulheres indígenas, as quais “nos ensinam também a evangelizar e sermos evangelizados”.

Sua expectativa em relação à Assembleia Sinodal é o trabalho em favor da vida. “A Palavra de Deus, a Eucaristia, o amor sobretudo para com as pessoas mais necessitadas e pobres, nos quais o Cristo assumiu essa opção. E nós devemos fazer a mesma coisa”.

Na manhã de ontem, dom Vital participou da missa que marcou a canonização de Santa Dulce dos Pobres. Sobre a santa brasileira, considera que ela ensina a amar os pobres, a ir ao encontro dos outros: “ela viveu de uma forma simples e humilde, mas viveu o Evangelho, a Palavra de Deus, se encarnou nela a Palavra do Senhor, a Eucaristia, se santificou no amor a Deus, ao próximo e a si mesma”.

 

Artigos relacionados