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Sem eles não seria o que sou

Dom João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo de Montes Claros

 

Eu tinha seis anos quando fui pela primeira vez à Escola Infantil Gato de Botas. Meus pais prepararam todo o material. Mas, ao entrar na sala e ver as outras crianças, as mesinhas de quatro lugares, eu chorei e não quis ficar. Meu pai me tomou no colo e me levou para casa. No caminho de volta, alguma palavra dele me fez querer regressar. Retornei. Tudo era novidade e eu me encantei com a escola. Ali começaram meus sonhos infantis de ser professor. Minha professora era Jane.

No ano seguinte, fui matriculado no Grupo Escolar Duarte de Abreu onde fiz os quatro primeiros anos do então chamado “primeiro grau”. A fase mais bonita do aprendizado foi a alfabetização. Veio a matemática, com prova aplicada pela supervisora escolar. Tínhamos o Clube de Leitura, que  nos estimulava a levar um pequeno livro de histórias para o final de semana em casa. Veio o gosto pelas aulas de puericultura, o ensino religioso, com as histórias bíblicas contadas com maestria, as aulas de estudos sociais, com noções de geografia de Minas Gerais e da minha cidade natal, Juiz de Fora e a participação nas sessões cívicas. Ao final da terceira série houve uma mobilização entre os colegas para recolher assinaturas dos pais e solicitar à direção da escola que concedesse à turma que a mesma professora nos acompanhasse no ano seguinte. Sucesso no meu primeiro ato político de reinvindicação. Minhas professoras nesses anos: Analuce Medeiros, Shirley Brigatto e Samira Abraão.

Nova experiência para o período da 5ª a 8ª série, com a conquista de uma disputada vaga no Instituto Estadual de Educação. Novos aprendizados pela diversidade das disciplinas. Entre os professores, recordo Detoni, Naim, Chisnandes, Batista, Dirceu. Concluído o 1º grau, vieram os exames e entrevistas para a admissão no Colégio Santa Catarina, escola católica que confirmava os iniciais desejos de uma vida religiosa. Recordo Marília Schmith, Hermínia, Bernadete, Peixoto, Ir. Ernestina, entre outros professores. O 2º grau coincidiu com a decisão de querer ser padre e a admissão no Seminário.

Veio o tempo do vestibular. No Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora ingressei no curso de Pedagogia e, concomitantemente, cursei as disciplinas do currículo filosófico. Alguns grandes mestres: André Guimarães, Pedro Paulo, Camerino, Menezes, Maria Sílvia. Na Universidade Federal de Juiz de Fora cursei Ciências Sociais com bacharelado em Antropologia e tive brilhantes professores: Leila Amaral, Rubens Barbosa, Carlos Botti, Glaucia Carreira, Shirley, Marcos Pestana.

O principal curso de minha formação foi a teologia, cursada no Seminário Arquidiocesano Santo Antônio de Juiz de Fora. Os sonhos do sacerdócio se aproximavam e tive excelentes professores: Eduardo Benes, Walmor Azevedo, Geraldo Dôndici, Sávio Ricardo, Maria Conceição, Dalton Barros, Jesus Hortal, Pedro Ribeiro, Marcelo Crochet, entre outros. O mestrado e o doutorado em teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana me deram a chance de novos aprendizados, com Luís Ladária, Félix Pastor, Wiliam Henn, Philiph Rosato, Bruna Costacurta, Jared Wicks, Gerald Collins, para lembrar alguns.

Ao celebrar o dia do professor, gostaria de registrar minha gratidão a cada um daqueles que me ensinaram. Sem vocês eu não seria o que sou. E a você que deseja ser professor, digo: é maravilhoso contribuir com a formação das pessoas. Como professor, testemunho: nossa profissão é uma luta. Mas sem professores não há futuro para o país.

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Fonte: Noticias da CNBB

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