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Sínodo para a Amazônia: na busca de novos caminhos

Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira
Prelazia de Itacoatiara (AM)

É esta a proposta do Sínodo para a Amazônia: encontrar caminhos novos para a missão da Igreja e para uma ecologia integral.

Caminhos novos para a Igreja, para que passemos de uma igreja que visita para uma igreja que permanece, que acompanha e se faz presente na vida do povo, especialmente nas comunidades mais distantes dos centros urbanos, as comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas, pequenos agricultores (cf. Instrumento de Trabalho, 129.1). Para isto se faz necessário rever os critérios para os ministérios ordenados e inspirados pelas primeiras comunidades, conforme nos apresenta os Atos dos Apóstolos (6, 1-7), criar novos ministérios para responder às necessidades da comunidade.

Caminhos novos para uma ecologia integral para que possamos assumir, como parte de nossa missão evangelizadora, a defesa da vida, a vida do território amazônico, de seus povos, da igreja e do planeta (cf. Instrumento de Trabalho, 8).

O Sínodo nos propõe como Igreja na Amazônia:

  1. a) fortalecer o trabalho de formação dos agentes pastorais para o cuidado com a casa comum, o respeito com o meio ambiente, com um consumo justo e uma sobriedade feliz (cf. Instrumento de Trabalho, 56 e 104).
  2. b) assumir um rosto amazônico e missionário, como pede o Papa Francisco. Uma Igreja com rosto amazônico, em seus pluriformes matizes, que procura ser uma Igreja em saída e que sabe discernir, sem medo, as diversificadas expressões culturais dos povos; que seja cada vez mais participativa (sinodal), acolhedora, harmoniosa, criativa e inculturada (cf. Instrumento de Trabalho, 110 e 112).
  3. c) assumir a missão profética de nossa missão (cf. Capítulo III da III Parte do Instrumento de Trabalho), que nos leve a denunciar os modelos extrativistas que prejudicam o território e violam os direitos humanos, a levantar a voz diante de projetos que afetam o meio ambiente e promovem a morte devemos, a somar forças com os movimentos sociais para anunciar uma agenda de justiça rural, que promova uma profunda reforma agrária, a assumir a causa da agroecologia; a promover a dignidade e a igualdade da mulher, assegurando a elas canais de participação na família, na igreja e na sociedade; assumir, sem medo, a opção pelos pobres e favorecer a criação de uma nova consciência ecológica.

“A nossa linda Amazônia se constitui em impressionante inspiração para o conhecimento, a utilização e a defesa das mais variadas formas de vida” (Dom Cláudio Hummes – Documento Preparatório para o Sínodo, página 56)). E ele nos convida a aguçar urgentemente nosso olhar para com a realidade plural da Amazônia: “um olhar amoroso que contempla e admira a vida das pessoas e da mãe natureza; um olhar cuidadoso, que se preocupa com os problemas encontrados na vida das pessoas e do ambiente natural; um olhar esperançoso, que acredita ser possível cuidar da qualidade de vida em todas as suas dimensões” (Dom Cláudio Hummes – Documento Preparatório para o Sínodo, página 57).

Que nunca nos faltem coragem e paixão, para vivermos nossa missão evangelizadora na vida e missão do chão amazônico.

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Fonte: Noticias da CNBB

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